Até num país como o Irão, Toni "era um Gandhi ou uma Madre Teresa de Calcutá"

A reboque do pai ou a título pessoal, o filho de Toni já treinou no Irão, Eslovénia e agora está no Kuwait. As aventuras do filho de uma estrela na rubrica "Treinadores Portugueses pelo Mundo".

António Oliveira, Toni no mundo do futebol, e ainda mais conhecido por ser filho de Toni, não tem medo de herdar o nome do pai e seguir as suas pisadas como treinador. "No meio do futebol eu sou o Toni, porque enquanto joguei futebol tinha nas costas Toni."

Terminada a carreira de treinador e os estudos, Toni começou a carreira de treinador com o pai, no Irão. "Tive a sorte de quando terminei a minha carreira de jogador e o mestrado tive o convite do meu pai para viajar até ao Irão e abraçar um projeto chamado Traktor e foi aí que começou esta aventura que já dura há cinco ou seis anos."

Passados tantos anos, Toni filho orgulha-se de já ter conquistado a confiança do pai. "Eu, de forma honesta, vou numa perspetiva de aposta. O meu pai nem sonhava o que eu poderia vir a ser ou a competência que eu tinha. O que me orgulha mais é que ganhei a confiança dele e que ele sem mim já não consegue trabalho e identifica-se muito com o que eu faço, gosta e confia no meu trabalho e isso orgulha-me imenso."

A vida com uma estrela no Irão

António Oliveira conta que Toni chegou ao Irão como um desconhecido, mas rapidamente conquistou as pessoas e tornou-se num símbolo não só do clube, mas também da cidade e da região. "O meu pai chega ao Irão como um incógnito, sem as pessoas saberem o que podia ser daí. As coisas aconteceram de forma natural, através também do trabalho e foi uma panóplia de vitórias e conquistas que fomos alcançando e sobretudo pelo carisma, personalidade e caráter que ele tem. É difícil de não gostar de uma pessoa como aquela. Até num país com alguma repressão, onde as pessoas estão debaixo de enorme pressão, ele era um Gandhi ou uma Madre Teresa de Calcutá."

E a fama não se ficava pelo pai, com o filho também a ter dificuldades em sair à rua. "Até para mim era difícil, as pessoas reconheciam-nos. O meu pai já não podia sair, é o símbolo do clube, da cidade, da região, é indescritível, inacreditável. Nunca tinha visto isto. Temos tantas histórias. Uma vez, depois de um almoço, vimos um trator, que simboliza o clube e serve para tirar fotografias, parámos ali e fomos tirar fotografias. Quem ia a passar apercebeu-se, quiseram tirar fotos e foi um catapultar de gente que nos cercou e fizeram filas de trânsito para tirar uma fotografia com o grande Toni. Parou o trânsito."

A seguir ao Irão, a Eslovénia, sem o pai

Sem o pai, Toni resolveu ir para a Eslovénia para treinador adjunto do Rudar. Terminou a época como treinador principal, mas preferiu sair. "Abracei um projeto por gente que me convidou e fui para adjunto de um treinador sérvio na Eslovénia, no Rudar. A experiência com ele não correu da melhor forma e a direção propôs-me a três semanas do fim ser treinador principal, numa situação incómoda, em vias de descer de divisão. Com dois empates salvei a equipa. Por onde passamos a imagem e o trabalho fica. Propuseram-me continuar mas achei que não era o projeto a seguir."

No verão, Toni voltou a juntar-se ao pai, desta vez para uma aventura no Kazma, do Kuwait. Uma experiência completamente diferente do Irão, mas menos positiva em termos profissionais. "A prioridade sempre foi o meu pai, sempre disse isso, até ele querer e até se sentir confortável. É uma experiência completamente diferente do Irão. Tenho muita qualidade de vida, restaurantes de todo o tipo, espaços onde posso gastar o meu tempo, é muito mais aberto, sinto-me bem e feliz em tempos sociais, mas em termos profissionais obviamente não é o que quero para mim."

Toni aproveitou ainda para elogiar os treinadores portugueses, que considera serem os melhores do mundo. "Temos uma marca que há uns anos apareceu e se notabilizou, que se chama José Mourinho, que catapultou os treinadores portugueses e depois com o investimento nos treinadores portugueses, estudaram, ganharam conhecimento, interessaram-se e que hoje ajudaram a manter esse nível ou superior e têm aparecido mais treinadores portugueses a um nível de topo, como são os casos Paulo Fonseca, Leonardo Jardim, Vítor Pereira, Villas Boas, Marco Silva e Carlos Carvalhal. Somos os melhores do mundo, sem dúvida nenhuma."

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