"Autoridades portuguesas não querem investigar crimes. Querem usar o que encontrei contra mim"

O português Rui Pinto, o hacker responsável pela partilha de informação confidencial que abalou o futebol europeu, partilhou milhões de documentos com jornalistas da Der Spiegel. Atualmente está em prisão domiciliária em Budapeste, na Hungria.

O pirata informático português, Rui Pinto, responsável pela divulgação de informação confidencial de vários clubes europeus, no âmbito do Football Leaks, acusa a justiça portuguesa de perseguição.

"Não posso divulgar o que tenho no meu computador mas uma coisa posso dizer: as autoridades europeias deviam dar uma espreitadela. Mas as autoridades portuguesas não porque não querem investigar os crimes. Apenas querem usar o material que encontrei contra mim", denuncia Rui Pinto, numa entrevista cedida ao European Investigative Collaborations, divulgada esta sexta-feira pela Der Spiegel e Mediapart.

Sobre as acusações de envolvimento em roubo de documentos, que estão na origem de um mandado de captura internacional, o hacker português defende que a justiça portuguesas não tem provas que o incriminem.

"Eles não têm nada contra mim. Estava a colaborar com as autoridades francesas e a começar a colaborar contra as autoridades suiças. Ia começar novas colaborações na Europa para investigações mais profundas e, de repente, Portugal sabotou tudo. Têm medo que partilho os dados que acham que tenho com jornalistas de outros países", afirmou.

Rui Pinto admite ter sido "ingénuo" ao entrar em contacto com o fundo Doyen, que agora acusa o português de tentativa de chantagem. O pirata informático afirma que nunca ganhou dinheiro com os documentos que divulgou, assegurando que nunca chatangeou ninguém e que apenas quer colaborar com a justiça para denunciar crimes ligados à indústria do futebol.

Natural de Aveiro, tem 30 anos e está em prisão domiciliária há 15 dias em Budapeste, na Hungria, após uma operação conjunta das autoridades portuguesas e húngaras.

Rui Pinto é representado por dois advogados: um português, Francisco Teixeira da Mota, e um francês, William Bourdon, que já defendeu Julian Assange, fundador do site Wikileaks, e Edward Snowden.

William Bourdon é um dos administradores da Signals Network, que é quem está a pagar a defesa de Rui Pinto em Portugal e na Hungria. A fundação franco-americana dedica-se a apoiar os "denunciantes" que correm o risco de expor informações de interesse público.

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