Bruno Fernandes em tribunal. Medo pela família, ansiedade e mudança da hora do treino

O médio acusa Bruno de Carvalho de mudar a hora do treino e admite "sofrer de ansiedade antes dos jogos com medo que um novo ataque" possa acontecer.

O capitão do Sporting foi a terceira testemunha do dia, no julgamento do ataque à academia, no Tribunal de Monsanto. Através de videoconferência, Bruno Fernandes diz que foi Bruno de Carvalho quem mudou a hora do treino no dia da invasão, contou pormenores do ataque e relatou o conteúdo de uma reunião entre o plantel do Sporting e o presidente do clube.

O jogador dos leões confirmou ao tribunal que o treino estava marcado para a manhã de 15 de maio, dia do ataque, e foi Bruno de Carvalho que mandou mudar a preparação para a tarde.

Sobre a invasão de Alcochete, Bruno Fernandes assume não conhecer nenhum dos arguidos com exceção do presidente Bruno de Carvalho, conta que estava no balneário à hora do ataque à academia de Alcochete, acrescentando que estava quase todo o plantel dentro do balneário e equipa técnica, com exceção de Jorge Jesus. Viu entre 20 a 25 agressores entrarem gradualmente no balneário. Bruno Fernandes confirma que os agressores chamavam de "filhos da puta ao William, Rui Patrício, Acuña e Battaglia" e que "não mereciam vestir aquela camisola".

Bruno Fernandes conta que os agressores entraram de rompante no balneário e que não tentaram conversar, apenas partiram para as agressões mesmo com Rui Patrício e William pediram calma. O jogador do Sporting admite que nunca tinha passado por uma situação destas, apenas situações pontuais de pedidos de mais empenho dos adeptos, mas sempre de forma controlada. O médio diz que viu Jorge Jesus com sangue na boca e Bas Dost já cosido na cabeça, bem como um fisioterapeuta com a cara inchada.

Reunião e discussão

O médio leonino relatou ainda uma reunião que teve lugar na véspera do ataque. O plantel encontrou-se com o presidente Bruno de Carvalho depois do jogo na Madeira com o Marítimo. Para "discutir o sucedido no aeroporto da Madeira", depois da partida, em particular "a confusão entre os jogadores e os adeptos, principalmente com o Acuña", que respondeu aos insultos dos adeptos. Rodrigo Battaglia tentou explicar que o colega respondeu a quente, mas acabou por também se envolver na discussão.

O presidente introduziu este tema na reunião afirmando que Marcos Acuña "não podia ter respondido daquela forma" ao chefe da claque, e "admitiu que tinha recebido ao longo do dia telefonemas de vários adeptos". Depois Bruno de Carvalho, Rui Patrício e William Carvalho envolveram-se numa discussão. A reunião terminou com o presidente a perguntar se os jogadores estavam com ele, acrescentando que "amanhã estarei lá convosco". O jogador entende que foi um estímulo para o que ainda faltava jogar, a final da Taça de Portugal, e ficou com a ideia de que Bruno de Carvalho ia marcar presença no treino do dia seguinte.

No final, Bruno Fernandes admitiu ainda que chegou a temer pela família, que pediu à mulher para ir para o Porto de imediato para ficar mais segura e que ainda "sofre de ansiedade antes dos jogos com medo que um novo ataque" possa acontecer.

A próxima sessão do julgamento está marcada para quinta-feira no Tribunal de Monsanto.

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