Campeão Made in Japan. Verstappen vence em Suzuka e sagra-se bicampeão com drama à mistura
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Campeão Made in Japan. Verstappen vence em Suzuka e sagra-se bicampeão com drama à mistura

Suzuka trouxe uma nova versão do provérbio "quem anda à chuva, molha-se". Durante duas horas, apenas a precipitação, alguma fauna e o safety e medical car estiveram presentes na pista japonesa. Quando houve tréguas, Verstappen partiu para nunca mais ser visto até ao final, sendo apenas vislumbrado quando cruzou a meta para registar mais uma vitória e, de forma pouco convencional, se sagrar bicampeão do mundo.

Foi preciso ler o regulamento em tempo recorde, mas Max Verstappen sagrou-se mesmo campeão do mundo em Suzuka. O neerlandês soube da boa nova de uma forma peculiar, enquanto ajeitava o chapéu durante as entrevistas após terminar a corrida, e os primeiros festejos foram abafados pela incerteza das calculadoras, mas o bicampeonato acabou por ficar decidido em terras nipónicas.

Na última passagem da Fórmula 1 pelo traçado japonês de Suzuka, a Covid-19 ainda não era uma designação conhecida. Três anos depois, as máscaras, acessório que já era normalizado em terras orientais, tornaram-se a indumentária secundária, convertendo os impermeáveis na peça de roupa mandatória no dress code para assistir ao Grande Prémio, porque os guarda-chuvas, esses, foram pouco recomendados pelos promotores do evento.

Com o foco nas bancadas, era visível que os fãs japoneses continuavam a fazer a festa até ao início da corrida. A precipitação não foi impeditiva do preenchimento dos lugares do circuito e a opinião maioritária é de que não mereciam o que se passou depois. Primeiro, o início: à hora marcada, 19 pilotos estavam prontos para a volta de reconhecimento. Pierre Gasly, devido a troca de componentes no seu monolugar, partiu da via das boxes.

Através dos pingos da chuva das viseiras, as cinco luzes dos semáforos apagaram-se e, durante os poucos minutos do início da corrida, ficou na retina a ultrapassagem de Max Verstappen na primeira curva, após um melhor arranque de Charles Leclerc. De bandeira amarela em bandeira amarela se fez a primeira volta. Entre muitos piões, Carlos Sainz acabou por bater com alguma violência e Alex Albon reportou problemas na unidade motriz do seu Williams.

Se o início da corrida fosse um álbum, podia ser o Made in Japan, dos Deep Purple. A música escolhida para descrever as condições seria a Smoke on the Water, em versão ao vivo, personificada com o quente dos motores a misturar-se com o spray da água que ressaltava do asfalto.

Com o registo de dois pilotos fora da contenda, o safety car assumiu a dianteira do pelotão, mas, pouco depois, foram agitadas a bandeiras vermelhas pelos comissários. Durante esse período, houve alguma polémica devido à entrada precoce de um trator em pista para extrair o carro número 55 da Ferrari, com pilotos ainda a circular em pista, principalmente Pierre Gasly.

O eco das opiniões dos pilotos continuava, recordando o incidente que vitimou Jules Bianchi, na mesma pista, em 2014. Depois de se temer a impossibilidade de reiniciar a competição, a chuva deu tréguas e, apesar da menor visibilidade dos pilotos que vinham atrás, havia condições de continuar.

O relógio não parava de contar. Com pouco menos de 40 minutos para se competir, Verstappen fugiu da concorrência e ganhou segundos atrás de segundos na liderança. Todos os pilotos foram obrigados a usar pneus de chuva, mas rapidamente todos se deslocaram às boxes para "calçar" intermédios. Mick Schumacher ainda se manteve alguns minutos na dianteira do pelotão, mas a pouca eficácia dos wets terminou com a estratégia da Haas num instante.

Sem vislumbre de nova paragem devido às condições cada vez mais indicadas para a continuação do Grande Prémio, viram-se, a espaços, algumas lutas particulares. Lewis Hamilton mostrou os cotovelos a Esteban Ocon, mas o francês conseguiu segurar em grande estilo o quarto lugar. Mais à frente, estava a iniciar a luta que acabou por decidir um título mundial.

Charles Leclerc manteve-se na segunda posição até à última chicane do traçado de Suzuka. O monegasco saiu em frente, ganhando vantagem em relação ao adversário, Sergio Pérez. No final da corrida, a direção de corrida decidiu a favor do mexicano da Red Bull, que subiu ao segundo lugar, acabando, assim, atrás do seu colega de equipa.

A corrida terminou sem festejos efusivos. Os membros da própria marca austríaca, com ambos os pilotos nas duas primeiras posições, estavam no parc fermé a abraçar os seus heróis de forma natural. Seguiram-se as entrevistas habituais, desta feita realizadas por Johnny Herbert, também ele ex-piloto. Max falou, como normal, e quando Sergio Pérez soube que subiu ao segundo lugar devido à penalização de Leclerc, foi anunciada a conquista do título por parte do neerlandês.

Seguiram-se momentos de tensão, drama e ansiedade. Verstappen festejou com a família e a equipa, mas continuava a pairar alguma dúvida sobre as contas para o título mundial. No pódio, após o champanhe, o também campeão do mundo Jenson Button chegou com o microfone e coroou, de forma mais oficial, o neerlandês como "bicampeão".

O que estava em causa nos regulamentos?

De acordo com o artigo número 57 do regulamento da FIA (Federação Internacional Automóvel), se a corrida não pudesse ser reiniciada no final das três horas de janela em que é possível realizar o grande prémio, não poderiam ser dados pontos porque, até à bandeira vermelha, apenas tinha sido feita uma volta. Mas, com o recomeço, as voltas percorridas sem o safety car nunca teriam importância, contando sempre a pontuação máxima para cada piloto que terminasse nas dez primeiras posições.

Os 25 pontos conquistados por Verstappen, contrastando com os 18 para Sergio Pérez e 15 para Charles Leclerc, terminaram com as dúvidas. Com 104 pontos para disputar em quatro rondas, o neerlandês garantiu uma vantagem de 113 em relação ao mexicano, colega de equipa, que também acabou por ultrapassar o monegasco no segundo lugar do campeonato do mundo de pilotos, e ficou com o título garantido.

No circuito de Suzuka, a volta mais rápida ficou nas luvas de Zhou Guanyu, mas como o chinês não terminou nos dez primeiros lugares, não conquistou o ponto extra. Esse prémio nem foi necessário para a decisão, mas a polémica e as dúvidas, essas, vão marcar para sempre este Grande Prémio.

Ninguém merecia este anticlímax na decisão. Perdemos a icónica ligação por rádio entre Verstappen e o seu engenheiro, a celebração não ocorreu da forma habitual e perdeu-se algum brilho perante os cálculos, mas o que conta para as estatísticas é mais uma vitória, a 12.ª, e o segundo título do leão neerlandês.

Faltando os Grandes Prémios de Austin, Cidade do México, Brasil e Abu Dhabi, engane-se quem pensa que será para cumprir calendário. Max Verstappen continuará a perseguir o recorde de mais vitórias numa época - 13, conquistadas por Sebastian Vettel, 2013 e Michael Schumacher, em 2004. Além disso, falta decidir o título do mundial de construtores, com o troféu cada vez mais agarrado pela Red Bull Racing.

Uma semana de pausa serve para uma viagem do continente asiático para o continente americano. A pressão pelo título mundial de pilotos terminou e o campeonato voltou, como em muitas edições anteriores, a ser decidido no Japão.

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