Interrogatório a Luís Filipe Vieira. Medidas de coação conhecidas este sábado

Luís Filipe Vieira já esteve a prestar declarações ao juiz de instrução criminal Carlos Alexandre, e declarou-se inocente nas acusações que lhe são imputadas.

O interrogatório do empresário Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica que suspendeu funções, estará suspenso, tendo o empresário declarado ser inocente de todas as suspeitas. Falta o juiz reunir-se com o Ministério Público e ainda este sábado serão divulgadas as medidas de coação.

Magalhães e Silva, advogado do presidente do Benfica com funções suspensas, afirmou estar convencido de que tudo o que o seu cliente disse ao juiz Carlos Alexandre é suficiente para ilibá-lo. O representante de Vieira considerou que a audição do seu constituinte "correu bem", tendo tido início às 09h15, tendo feito um balanço "positivo" e afirmando que "respondeu a todas as questões, sem nenhuma exceção", com o empresário a afirmar a sua inocência.

Magalhães e Silva espera que a decisão final do juiz seja divulgada ainda este sábado. Não gosto de antecipar convicções. Como em termos de decisão já vi de tudo, não gosto de cavalgar nenhuma convicção", afirmou, entendendo que Vieira conseguiu defender-se das questões efetuadas pelo juiz Carlos Alexandre: "As explicações que Luís Filipe Vieira deu, do meu ponto de vista, ilibam-no integralmente."

Quanto ao facto de ter usado paraísos fiscais para passar dinheiro de transferências do clube, o advogado defende que houve um uso legítimo destas empresas, dizendo que "o que há relativamente às 'offshores' são transações imobiliárias sem nenhuma ponta de ilegalidade".

Sobre a possibilidade de o juiz decretar prisão preventiva como medida de coação, o advogado expressou que irá discordar "obviamente" da decisão.

Enquanto a promoção do MP não tem início, o juiz autorizou Luís Filipe Vieira a estar com o filho, Tiago Vieira, outro dos arguidos no processo, contou também Magalhães e Silva.

"O senhor Luís Filipe Vieira não disse nada que pudesse minimamente prejudicar o filho, até porque não havia rigorosamente nada que pudesse dizer que prejudicasse o filho", sublinhou.

Luís Filipe Vieira não sabe por esta altura o que se passa no Benfica. O advogado fez questão de não lhe contar para não prejudicar o interrogatório.

Vieira e os outros três detidos no processo chegaram ao tribunal às 09h03, depois de pernoitarem pela terceira vez consecutiva nas instalações do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, em Moscavide.

Segundo o seu advogado, Magalhães e Silva, Luís Filipe Vieira "vai prestar declarações" ao juiz de instrução criminal e "responder a todas as questões" que lhe forem colocadas por Carlos Alexandre relativas "à matéria da indiciação", a partir das 09h00.

Luís Filipe Vieira, de 72 anos, será a última das quatro pessoas detidas no âmbito da investigação 'cartão vermelho' a ser ouvida pelo juiz Carlos Alexandre, no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa, antes da aplicação das medidas de coação.

Na sexta-feira, o empresário José António dos Santos foi o primeiro a prestar declarações, durante a manhã, seguindo-se, da parte da tarde, os interrogatórios de Bruno Macedo e de Tiago Vieira, filho de Luís Filipe Vieira.

Também na sexta-feira, Luís Filipe Vieira comunicou a suspensão do exercício de funções como presidente do Benfica - nas quais foi substituído por Rui Costa -, por intermédio do seu advogado, à porta do TCIC, onde aguardava para ser presente a primeiro interrogatório judicial, o que só acontecerá este sábado.

Segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), os quatro detidos são suspeitos de estarem envolvidos em "negócios e financiamentos em montante total superior a cem milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades".

Em causa estão "factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente" e suscetíveis de configurar "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento".

Para esta investigação foram cumpridos 45 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária em Lisboa, Torres Vedras e Braga. Um dos locais onde decorreram buscas foi a SAD do Benfica que, em comunicado, adiantou que não foi constituída arguida.

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