China: Peng Shuai, mais um caso de desaparecimento após desentendimentos com governo

A tenista reapareceu no fim de semana num restaurante e num torneio de ténis em Pequim.

O desaparecimento da destacada tenista chinesa Peng Shuai há duas semanas soma-se a outros casos, envolvendo dissidentes políticos, artistas ou líderes empresariais, cujas aparições e referências passaram a ser omitidas após desentendimentos com o Governo chinês.

Campeã em pares do Torneio de Roland Garros em 2014, Peng Shuai, 35 anos, publicou uma mensagem na rede social chinesa Weibo, no início de novembro, sobre a sua relação com o ex-vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli, de 75 anos, acusando-o de a ter forçado a ter relações sexuais há três anos.

O texto foi retirado pouco depois de ser publicado e a tenista deixou de ser vista. Reapareceu no passado fim de semana, num restaurante de Pequim e num torneio de ténis na capital chinesa, de acordo com vídeos publicados pelos meios de comunicação oficiais.

Entre as figuras mais notáveis que subitamente deixaram de ser vistas em público constam o magnata do comércio eletrónico Jack Ma e a estrela de cinema Fan Bingbing.

Ma, cujos discursos em DVD e livros de empreendedorismo outrora enchiam as prateleiras das papelarias em estações de comboio da China, desapareceu dos holofotes depois de criticar os reguladores do sistema financeiro por excesso de conservadorismo, num discurso proferido em Xangai, em outubro de 2020.

O fundador do grupo Alibaba só reapareceu três meses depois, num vídeo filmado na sua terra natal. Segundo a imprensa estatal, Ma "estudou e refletiu" e está agora "mais determinado a dedicar-se à educação e ao bem-estar público".

A atriz Fan desapareceu também durante três meses, antes de surgirem notícias de que o fisco tinha ordenado que pagasse impostos e multas em falta, que ascendiam a 130 milhões de dólares (cerca de 116 milhões de euros).

O "sortilégio" também inclui membros do Partido Comunista.

O antigo vice-ministro de Segurança Pública da China Meng Hongwei integra um grupo de figuras do Partido atingidas pela campanha anticorrupção lançada pelo Presidente Xi Jinping.

Meng ganhou destaque global, em 2016, quando foi eleito presidente da Interpol, a organização internacional que facilita a cooperação policial em todo o mundo. No entanto, em 2018, o seu mandato terminou prematuramente quando desapareceu durante uma visita à China.

Meses mais tarde, Meng foi expulso do Partido Comunista e acusado de aceitar subornos. No ano passado, foi condenado a 13 anos de prisão.

Há casos em que os desaparecimentos ocorrem fora do país, expondo o à-vontade das autoridades da China em ir além da sua jurisdição para deter dissidentes.

O cidadão sueco de origem chinesa Gui Minhai desapareceu, em 2015, quando passava férias na Tailândia. Ele e quatro colegas, que trabalhavam para uma editora que publicava em Hong Kong livros críticos do Partido Comunista, desapareceram na mesma altura, e apareceram meses depois sob custódia da polícia na China continental.

Um tribunal no leste da China condenou-o a dez anos de prisão por "fornecer ilegalmente serviços de informação no exterior".

A China defende ser um Estado de Direito, mas o "papel dirigente" do Partido Comunista é, de facto, o "princípio cardeal".

O domínio do Partido sobre o sistema de justiça, as forças de segurança, a imprensa ou as redes sociais permitem-lhe deter e bloquear críticos, embora estas notícias com frequência venham gradualmente a público através de fontes clandestinas e estrangeiras.

As detenções arbitrárias incluem também cidadãos estrangeiros.

Os canadianos Michael Kovrig e Michael Spavor foram detidos no país, em dezembro de 2018, logo após o Canadá ter detido Meng Wanzhou, a diretora financeira do grupo de telecomunicações Huawei.

A China atrasou o anúncio das suas detenções durante vários dias e negou, mais tarde, que estivessem relacionadas com o caso de Meng.

Os dois canadianos foram libertados em setembro, depois de Meng ter sido autorizada a retornar à China.

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