Coragem do Famalicão empata o Benfica

Tendo em conta o nível atual da liga portuguesa, este foi um dos jogos mais ricos e entretidos dos últimos tempos.

Quando um dos clubes grandes perde pontos é comum apontarmos os defeitos e não tanto os méritos do adversário. Desta vez, a justiça exige que a personalidade do Famalicão na busca do empate seja destacada. Mantendo-se agarrada aos princípios que evidenciou durante toda a temporada, a equipa de João Pedro Sousa fez o "pleno": não perdeu em casa com nenhum dos quatro primeiros classificados.

Houve mais iniciativa do Benfica no primeiro tempo. A construir, colocou Weigl entre centrais para ter superioridade sobre os dois avançados do Famalicão (Gabriel nas costas da pressão) e utilizou, sobretudo, o lado esquerdo para progredir. Nuno Tavares, apesar das limitações a nível de definição no último terço, ofereceu profundidade constante e esteve envolvido no primeiro golo encarnado, construído precisamente nesse flanco. Chiquinho deu quase sempre continuidade às jogadas, com a inteligência que o caracteriza. Só Bruno Lage saberá por que passou tanto tempo ao lado da titularidade.

O Famalicão, arrumado num 4-4-2 sem bola, não pressionou muito alto, permitiu que Weigl tivesse influência como organizador - tranquilidade e critério - e sofreu com a dinâmica encarnada na esquerda. No momento ofensivo, Patrick William ficava como central pela direita e proporcionava uma saída a três, com o lateral Coly a subir no flanco oposto (Fábio Martins no espaço interior). Tirando um remate para defesa vistosa de Vlachodimos, não ameaçou regularmente a baliza das águias.

Apesar das dificuldades, a insistência de João Pedro Sousa na estratégia que preparou não surpreendeu. O início da segunda parte não trouxe muitas diferenças no cenário do jogo, sobretudo pela forma como o Benfica ia pressionando. Veríssimo pediu a Chiquinho que saísse em Roderick (central pela esquerda) e a Cervi que condicionasse a acção de Patrick William (central pela direita) e o trabalho sem bola de ambos foi importante para retirar conforto à construção adversária (Gabriel saltava em Gustavo Assunção).

Os lances mais perigosos do Famalicão surgiram quando a equipa deixou Pedro Gonçalves de frente para o jogo no corredor central - podendo acelerar em condução ou procurar o último passe, como aconteceu no remate à barra de Fábio Martins (já na direita). Se dúvidas houvesse, deixou outra prova de que tem qualidade para outros voos. Na recta final, depois da saída de Cervi (veja-se a passividade de Jota), Samaris tenta compensar na esquerda, fica aos papéis e Guga empata. A equipa da casa cresceu e foi empurrando o Benfica para trás, chegando a um prémio que procurou.

*Comentador TSF

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