Coronavírus 1-0 Futebol. O que fica e o que aí vem depois dos cancelamentos

O destino havia de ditar que, em ano de 60.º aniversário, o Euro é cancelado. A Copa América também já não vai realizar-se e os campeonatos estão parados em vários países.

Quando, em 2012, o Comité Executivo da UEFA decidiu comemorar os 60 anos do Campeonato da Europa de futebol - precisamente em 2020 - com um novo formato, jamais imaginaria que, pela primeira vez na História, a competição não poderia realizar-se nas datas previstas. O aniversário acabou empurrado para 2021 por uma razão que ninguém conseguiria prever: a Covid-19 atacou o mundo e o futebol, como tudo, não escapou.

Aliás, a própria estrutura definida, com jogos em 12 cidades de 12 países diferentes, tornou a situação ainda mais problemática e perigosa. Como refere a UEFA na explicação para o adiamento, pretendeu-se "evitar uma pressão desnecessária nos serviços nacionais de saúde envolvidos nas cidades que recebem jogos".

Mas como o combate ao novo coronavírus é global, também a CONMEBOL adiou para o próximo ano a Copa América que se realizaria na Argentina e Colômbia praticamente nas mesmas datas do Euro2020.

Até hoje, em grandes competições internacionais do futebol, apenas o Campeonato do Mundo tinha sido atingido, mas neste caso foi a Segunda Guerra Mundial a responsável pela não-realização das edições de 1942 e 1946.

O Campeonato da Europa só tinha sofrido uma pequena modificação forçada em 1992, quando a Dinamarca foi chamada, quase em cima da hora, para substituir a Jugoslávia na sequência do início da Guerra dos Balcãs. E a grande ironia é que a seleção dinamarquesa acabaria mesmo por ser a vencedora do torneio.

Consequências agora e depois

No terreno estritamente desportivo, é importante registar que o adiamento do Euro deixa aos vários campeonatos nacionais a possibilidade de se prolongarem até 30 de junho.

Numa altura em que estão suspensos em quase toda a Europa, como é o caso de Portugal, estes campeonatos ficam agora com outra margem de manobra, algo que a UEFA também assume ao sublinhar que "foi dada prioridade à conclusão dos campeonatos nacionais, num esforço de solidariedade sem precedentes da UEFA". Resta saber se a Covid-19 o permitirá.

Simplesmente, esta autêntica revolução no tradicional alinhamento das competições vai para lá do Europeu. A Liga dos Campeões e a Liga Europa ainda não têm conclusão definida, sendo que a UEFA terá de encontrar uma fórmula para conseguir realizar as finais das duas provas em junho. Para tal, as eliminatórias teriam de recomeçar no fim de abril e início de maio, a menos que o Comité Executivo encontre outra solução para determinar os vencedores.

Mas se aquelas são as implicações imediatas, é preciso igualmente pensar nas consequências sobre o calendário de 2021. Desde logo há a Liga das Nações, uma competição da própria UEFA que, agora, terá de ser colocada noutras datas, se o organismo europeu entender que, ainda assim, deve realizar-se. Por outro lado, recorde-se que a FIFA tinha previsto o Mundial de Clubes alargado precisamente para junho e julho do próximo ano, depois de um contrato com a China por valores nunca vistos. Isto significa que a sequência de decisões fundamentais apenas começou.

A questão financeira

Só lá mais para a frente se poderá aferir com rigor até que ponto irá o impacto financeiro do adiamento do Europeu. Os primeiros e mais visíveis alvos são as federações nacionais. Convém não esquecer que as fases finais representam uma fonte de receita determinante para as contas federativas. Repare-se que a UEFA tinha previsto pagar 9,25 milhões de euros como prémio de presença a cada uma das 24 seleções presentes no Euro2020, um valor que poderia subir até aos 29 milhões. Já para nem falarmos dos bónus que cada seleção receberia por via dos patrocinadores.

No caso da Federação Portuguesa de Futebol, por exemplo, o orçamento para esta temporada apontava uma previsão de receitas na ordem dos 13,9 milhões de euros derivadas da participação das seleções nacionais nas várias competições. Será escusado dizer que a maior fatia do bolo vinha precisamente deste Campeonato da Europa.

Outras Notícias

Patrocinado

Apoio de

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de