Correr 281 quilómetros, em 39 horas pela Beira Baixa, na altura mais quente do ano

PT281+: a corrida em que terminar é vencer. Pelo interior do país, a primeira, pós-confinamento. Chamam-lhe a Badwater portuguesa e é uma das mais duras provas da Europa. Às 18:00 de quinta-feira, 92 corajosos homens e mulheres partiram de Belmonte em regime de semissuficiência. O primeiro classificado, Vítor Rodrigues, chegou à meta instalada em Proença-a-Nova, este sábado de manhã.

Já na sexta edição, a Portugal 281+ Ultramarathon, é um dos primeiros eventos desportivos, extra futebol, a realizar-se no país, em período de pós-confinamento da pandemia de Covid-19. Desde 2015 que, em meados de Julho, vários concelhos da Beira Baixa recebem um dos desafios mais exigentes do atletismo nacional, num misto de corrida em estradões, trilhos de montanha e asfalto.

O conceito da PT281+ é equivaler a exigência das provas mais extremas do mundo, tendo como inspiração a Badwater135 (na distância de 135 milhas) na Califórnia, onde se atingem temperaturas acima dos 50º à passagem pelo Death Valley. Carlos Sá já venceu a prova norte-americana e, se o calor do Julho português não é tão extremo, ontem à tarde, à passagem por um dos nossos "vales da morte", junto a Idanha-a-Nova, o termómetro ultrapassava os 40º. Ao contrário de outras provas de trail running que foram canceladas - e após várias considerações e condições legais - a PT281+ teve tiro de partida no planeado 23 de julho.

Vítor Rodrigues, natural de Guimarães, correndo pela Anonymous Pro Sport Challenger, foi o grande vencedor desta edição de 2020, com o tempo final de 39 horas e 4 minutos, ele que já havia conquistado dois 2ºs lugares em 2018 e 2017. Pouco depois, com o tempo final de 39h48m, chegou Rui Luz da AMCF-Arrábida Trail Team, que também já conseguira dois pódios em anos transatos. Em terceiro lugar da classificação geral ficou uma mulher. Patrycja Bereznowska superou a demais concorrência ao chegar a Proença-a-Nova com o tempo de 41h09m. A atleta polaca venceu a Badwater135+ de 2019, no escalão feminino. Até esta altura, João Oliveira, era o quarto classificado em prova, ele que foi o vencedor nas edições de 2019, 2018, 2017 e 2015 da Portugal 281+ Ultramarathon.

A PT281+ Ultramarathon Portugal também pode ser corrida em estafetas de dois e quatro elementos, sendo que a maioria dos participantes corre (e anda) em regime individual. Nestes últimos anos, a prova tem trazido também alguns atletas internacionais a percorrerem os caminhos da Serra da Malcata, a aldeia de Monsanto ou as Portas de Ródão, tendo a presente edição recebido runners dos E.U.A., Espanha, França, Itália, Inglaterra, Bélgica, Polónia e República Checa. Este exigente desafio tem um tempo máximo de conclusão de 66 horas, o que significa que ainda teremos concorrentes em prova até domingo, ao meio-dia, com garantia de um final refrescante na praia fluvial da Aldeia Ruiva.

Uma prova para "mentes maduras"

À TSF, o diretor da prova, Paulo Garcia diz que há dois grandes adversários para os atletas: o calor, com um "sol inclemente", e necessidade de gestão dos recursos, já que é "proibida" a assistência de terceiros.

Há mais homens nesta prova, mas "as mulheres têm crescido de forma significativa, com resultados fabulosos". A média de idades é de 46,6 anos, "os jovens não têm tanta capacidade para resistir a tanta necessidade de gestão emocional". E há pessoas de 70 anos a chegar à meta com "uma frescura física invejável".

Paulo Garcia lamenta que a prova tenha sido tão difícil de organizar devido à pandemia de Covid-19. Não porque tenha sido complicado assegurar as condições de higiene e segurança, mas devido à muita burocracia e medo dos participantes de serem julgados, por causa do "politicamente correto".

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