Crise no Sporting. Novas eleições? Não, mas é necessário um 'mea culpa' da SAD

A venda da maioria do Capital da SAD, a formação, ou a manutenção de Bruno Fernandes no plantel comentados na TSF por antigos dirigentes do Sporting.

A primeira intervenção de Filipe Soares Franco resume o tom da conversa na TSF sobre o futuro da direção de Frederico Varandas. "Vamos supor que toda esta contestação daria a que o Sporting fosse a novas eleições. E vamos supor que os próximos órgãos sociais eleitos tinham um problema similar. Iríamos novamente para eleições passados dois anos?".

Para o antigo presidente dos leões, novas eleições apenas iriam contribuir para agravar a instabilidade, para agitar as águas num momento em que é necessário pensar soluções de longo prazo. Mas ainda assim, deixa críticas à gestão atual. "Neste início de época houve erros em excesso. A contestação era antes pelo desempenho desportivo do Sporting. Mas a contestação que estamos a ver hoje já não tem que ver com o desempenho desportivo. (...) O problema tem sido o corte com as claques", explica o antigo responsável máximo dos leões.

Já o antigo atleta do clube para o Samuel Almeida, é necessário que Frederico Varandas assume os erros na gestão desportiva. "Ainda não vi a direção assumir as soluções desastrosas que tomou", e concretiza, "Nani saiu a custo vero. Montero saiu a custo zero. Onde é que o Sporting vai buscar um jogador que faz tantos golos como Bas Dost por temporada por 7 milhões". O antigo atleta do clube defende assim que a estrutura da SAD deveria assumir a responsabilidade, sem que para isso seja necessário apresentar uma solução de ruptura, como novas eleições.

Bruno Fernandes mais uma temporada. Um erro para Soares Franco

Filipe Soares Franco aponta como um erro na manutenção de Bruno Fernandes no plantel, face ao rendimento desportivo da última temporada. "Esta aposta em Bruno Fernandes continuar no plantel foi uma aposta de alto risco (...) no dia em que fechou o mercado inglês, percebeu-se que ele não ia sair nem que a vaca tossisse. Se o tivessem vendido por 50 milhões teriam tido soluções financeiras para resolver problemas de base", explica o antigo presidente.
Sobre a aposta em Silas, Filipe Soares Franco fala da "solução possível". "Quem é que quer vir para o Sporting em outubro? Quando se tomaram opções que se tomaram? Saindo dois titulares [sobre o último dia de mercado]?", questiona o antigo presidente dos leões.

Venda do capital da SAD

João Viegas Soares rejeita novas eleições como solução viável para o futuro do Sporting. Para o antigo vice-presidente do Sporting entre 1995 a 1997, "não é possível continuar a ter presidentes de dois em dois ou de três em três anos", explica. "É difícil ter relações

institucionais com o Sporting nestas condições", sobre parcerias com outros clubes ou instituições. E essas relações são essenciais para o clube, aponta.

João Viegas Soares sobre a gestão da SAD, "a capacidade da SAD investir é hoje praticamente nula", e isso, diz, explica o momento atual do futebol profissional. "Não vamos ser seguramente campeões nos próximos cinco anos se não encontrarmos um modelo alternativo à compra de jogadores por 2 milhões, ou 4 milhões, ou pensar em soluções mais profundas, e pensar um dia abrir o capital da SAD, ou vender a maioria do capital da SAD".

Já Samuel Almeida fala de um atraso estrutural, que obriga a soluções de longo prazo. "O primeiro caminho passo por dizer a verdade aos sócios do Sporting Clube de Portugal. O Sporting tem um atraso estrutural, perdeu a liderança na formação e tem um fosso gigantesco em termos da sua estrutura de gestão", sobre a comparação com Benfica e FC Porto.

O antigo atleta do clube alerta para os perigos de uma venda de capital."Se aparecer um investidor institucional, sim, na minha opinião. Uma coisa é aparecer um Abramovich e colocar aqui 100 ou 200 milhões e não resolver problema algum. Outra coisa é ter uma Red Bull, com estratégia global e comercial que possa ligar com o projeto do Sporting", mas só numa situação excecional, segundo Samuel Almeida.

Soares Franco considera que os sócios do clube ainda não aceitam este debate."Eu acho que o Sporting não está ainda preparado para dar esse passo", sobre a venda da maioria do capital da SAD. O antigo presidente explica ainda que um momento de crise não é, o ideal para pensar uma solução deste tipo. "Algum investidor que queira entrar no Sporting e perceba o que está a acontecer, não entra", explica Soares Franco sobre os efeitos da reestruturação financeira e o cenário financeiro do clube. E lembra o exemplo da relação do maior acionista externo na SAD. "Abrir ou não abrir o capital da SAD? Há hoje um acionista de referência na SAD, a Holdimo. Já reparou qual o prejuízo que ela vai ter com a reestruturação financeira?", questions o antigo presidente.

Passado recente e a comissão de gestão

Manuel Reis defende o trabalho realizado por José Sousa Cintra e pela comissão de gestão, antes de Frederico Varandas vencer as eleições. Para antigo administrador da SAD durante esse período, a comissão foi um "equipa de salvação nacional". E a comparação com a direção atual não é positiva. "Vejo hoje serem cometidos muitos mais erros. É necessária boa gestão, um modelo de gestão adequado. Hoje há conflitos de interesse latentes na direção", explica. "Temos de ter uma gestão mais experiente, profissional. Com sucesso desportivo e financeiro", comenta.

Filipe Soares Franco sobre as promessas da atual direção, "Frederico Varandas não contou a verdade aos sócios. Não contou. (...) nada estava quantificado, não sabíamos os meios para cumprir os objetivos. Eu teria contado a verdade", explica, dizendo ainda que, no momento da

eleição de Frederico Varandas "a probabilidade de lutar pelo título era menor, porque havia que fazer investimento na formação".

O futuro está na academia, diz Soares Franco. Hoje, como antes. "Não conheço o plano estratégico desta direção", sobre a aposta na formação do futebol. O antigo presidente defende que o clube tem de "voltar ao início" apostando nos jovens da academia. "Hoje no campus de futebol do Benfica estão 14 ex-profissionais da formação do Sporting (...) se queremos voltar a ser competitivos temos de voltar à base", aponta o antigo presidente do clube.

Leia aqui o acompanhmento ao minuto do debate:

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