Da Lazio a Myanmar, com Baggio e Guardiola pelo meio

Fabiano Flora começou a carreira em alguns dos maiores clubes de Itália. Passou por Portugal, chegou a Myanmar e está desde novembro em Portugal, sem clube.

Nunca o programa Erasmus fez tanto por alguém como por Fabiano Flora. Com um ano de estudos em Roma pela frente, este ainda aspirante a treinador arranjou um estágio nos escalões de formação da Lazio. Rapidamente o estágio se converteu num contrato de trabalho, que acabou por durar cinco anos. Depois passou pela Juventus e fez o curso de treinador com Roberto Baggio, em Florença.

"Fizemos o curso em Florença, estivemos um mês e meio juntos. É uma pessoa muito simples, formidável. Uma vez chegou ao curso e disse que tinha uma surpresa para os colegas, saiu por uns minutos e quando regressou vinha com o Guardiola e ficámos todos contentes a ouvir as histórias dele. Estava a ganhar tudo no Barcelona. Por vezes com estas experiências aprendemos mais que com os estudos."

Acabaria por regressar a Portugal após receber um convite de Giuseppe Galderisi, antigo treinador da Olhanense, para ir para Olhão. Foi aí que decidiu fazer a passagem do futebol juvenil para o sénior e foi a partir daí que iniciou a carreira de forma mais profissional. A seguir a Olhão foi para a Académica, para o departamento de scouting, uma experiência "boa, diferente, mas mais de escritório".

Até que chegou o convite para ir para Myanmar, através de um empresário. "Havia a possibilidade de ser treinador adjunto de um treinador sueco, Stefan Hanson, que tinha trabalhado com a seleção italiana e não hesitei. Foi a minha primeira aventura, durante três épocas no Zayar Shwe Myay. É uma cultura totalmente diferente, a nível desportivo têm outra mentalidade, outras ideias, mas precisam de nós para desenvolver o futebol. O futebol está a crescer a olhos vistos, há grandes investimentos, uma paixão enorme, com pessoas muito simples e formidáveis. O primeiro impacto foi difícil mas muito bom."

As dificuldades foram muitas, mas nada especialmente grave. "A primeira dificuldade foi logo a língua, porque falam muito pouco inglês. São muito religiosos e a alimentação é à base de arroz e frango. Mas tudo se ultrapassa com dedicação. Não experimentei quase nada de comidas exóticas, mas vi muitas coisas estranhas desde morcegos e saltaricos fritos, peixe-cobra, rãs e até sopa de ossos, mas não consegui experimentar nada disso."

Fabiano explica que há clubes com boas condições, mas nem todos são assim. "Alguns clubes têm condições boas, campos sintéticos, mas a maior parte não tem essa organização e têm dificuldades durante o campeonato."

Após esta primeira experiência no país, foi convidado para treinador principal do Southern Myanmar, onde conseguiu bater um recorde de pontos na primeira liga. "O clube vivia um momento difícil, na zona de despromoção, e o objetivo era a promoção o mais rapidamente possível. Após a manutenção, conseguimos ainda fixar um recorde de pontos no clube."

Com este sucesso, Fabiano, agora com 32 anos, acabou por aparecer na primeira página no principal jornal desportivo do país. "Sou uma figura conhecida lá, tenho uma imagem muito boa, praticamente não perdi contra as equipas grandes."

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