De cavalo e de burro para ver os jogos do Desp. Chaves

17 anos depois, o Desp. Chaves subiu à primeira divisão, mas os incêndios na Madeira fizeram com que a primeira jornada, contra o Nacional, fosse adiada para o próximo dia 4 de setembro.

O primeiro jogo oficial da equipa mais representativa de sempre da região transmontana vai acontecer neste sábado, dia 20, em casa frente ao Tondela. Os sócios dos "Valentes Transmontanos", como é conhecida a equipa flaviense, estão ansiosos por ver a equipa competir com os grandes.

O jornalista Afonso de Sousa foi conhecer os adeptos ferrenhos do Chaves

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Carlos Veras é um deles. Tem 69 anos. É o sócio nº 73. Para lá do Desp. Chaves tem outro amor. "É o FC Porto, porque já ia ver o FC Porto antes do Desp. Chaves. Como estudei em Chaves e gosto muito de futebol, dediquei mais tempo ao Desportivo e sempre que pude colaborei ao ponto de ter mais de trinta anos como dirigente. Hoje sou o sócio nº73".

Carlos Veras é um ferrenho adepto do Desp. Chaves, desde pequenino, muito por culpa do pai, acrescenta. "Ele montado num cavalo e eu num burro chegávamos a vir da aldeia, que fica aqui a cerca de 14 quilómetros, mesmo de inverno, para ver os jogos. Estacionávamos o burro e o cavalo num armazém que havia aqui pertinho, numa corte, e íamos ver os jogos. Quando acabavam, muitas vezes de noite, regressávamos a casa de cavalo e de burro".

Tinha dois anos quando o Desportivo foi fundado, a 27 de setembro de 1949, a partir de dois clubes, de então, da cidade. "O Flávia Sport Club e o Clube Atlético Flaviense. O Atlético tinha o campo onde hoje é o estádio. Era um campo de terra batida que mais tarde foi vedado com tábuas, todas pintadas de preto, pelo fumo, porque a tinta era cara, pelo fumo dos comboios...eram tábuas fumadas".

E o outro campo que desapareceu, "era na região de Santo Amaro onde passava o comboio. Tinha uma particularidade. O comboio passava mesmo encostado a uma das balizas. Quando se andava a jogar e aparecia o comboio, parava-se o jogo para ver o comboio".

Com a fusão, o clube único ganhava força e aumentava a rivalidade, principalmente com os vizinhos de Vila Real. "Quando era estudante, sempre que fazíamos aqueles jogos escolares com Vila Real havia sempre porrada, lá e cá! E no futebol também. Eu levei muitas vezes pedradas à saída de Vila Real mas depois também, eu não, também vi fazerem o contrário aqui".

A porrada e as pedradas desapareceram ao longo do tempo mas, mesmo com o Desp. Chaves a ter a hegemonia do futebol na região transmontana, Carlos Veras não atenua os sentimentos em relação à capital de distrito e à do país". Costumo dizer que de Vila Real e de Lisboa nunca vem coisa boa!".

Este valente transmontano acredita que, com o peso do passado do clube, a quantidade de sócios em todo o mundo e com o apoio dos vizinhos espanhóis, o Desp. Chaves poderá vir a ser, em definitivo, um dos clubes de referência do país. "Se as pessoas pensarem a sério no clube, o Desp. Chaves pode ser um baluarte do futebol nacional. Tem condições para isso," termina Carlos Veras.

No próximo sábado, o sócio 73 estará no estádio renovado do Desp. Chaves, no lugar de sempre, para assistir, fervorosamente, ao primeiro jogo do campeonato da equipa da sua vida.

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