De Sagres para a Estónia. "São 50 adeptos nas bancadas, mas isso vai mudar"

José Da Paz ainda não chegou aos 30 anos, mas já treina no estrangeiro há quatro, primeiro na China e agora na Estónia, na formação do Harju FK, de Talin.

A aventura no estrangeiro de José Da Paz começou na China, integrado na Academia de Luís Figo. Antes, este treinador de 29 anos formou-se no Esperança de Lagos, no Algarve, onde nasceu, seguindo depois para Évora, onde orientou o Lusitano.

"O convite surgiu de um amigo, que me perguntou se queria ir para a China, sem o próprio saber o que íamos encontrar. Com as dificuldades salariais em Portugal, para mim, jovem, acabado de formar, aceitei sem pensar. Foi a ambição de ser treinador que me levou a aceitar. Não tinha expectativas, então foi muito positivo. Encontrei um mundo completamente diferente, o que me chocou foi a quantidade de pessoas em qualquer canto, até debaixo do chão. As diferenças culturais, como olham para a vida, é completamente diferente. No futebol também se sente e foi uma aventura engraçada".

Em 2016, decidiu fazer as malas e rumar a Talin, na Estónia para ser treinador na formação do Harju FK. E tudo começou, novamente, com um convite de um amigo.

"Tive um convite que veio de um colega português que cá estava. Foi uma proposta tentadora, não a nível salarial, mas pela possibilidade de progressão na carreira. Vim trabalhar para o Harju, onde continuo, já renovei por mais um ano, para uma equipa de sub-14 e outra de sub-15. O projeto era aliciante, disputar o título de campeão na Estónia, com uma cultura completamente diferente, com jogadores de várias nacionalidades e foi aí, quando me disseram que vinha para um clube onde tinha de resolver problemas de comunicação, foi o que me fez aceitar".

Para um algarvio, habituado ao calor, o frio foi uma das maiores barreiras.

"Foi difícil, principalmente no primeiro ano, em que cheguei uma semana antes de começar a nevar. Vindo de Sagres, com bom clima, quente, chegar aqui seis a sete meses de inverno com temperaturas negativas, é difícil. Mas estou a fazer aquilo de que gosto e quando entro dentro de campo as dificuldades são esquecidas e o que interessa é desenvolver os jogadores que temos à frente".

Mas até os estónios têm limites em relação ao frio e nem sempre é possível treinar no exterior. Ainda assim, José Da Paz não tem qualquer relação de queixa em relação às condições que o clube lhe dá.

"Até aos -6 é possível treinar cá fora, se não estiver a nevar. Mais do que isso é difícil, custa a respirar, os jogadores cansam-se depressa. Aí temos um campo de futsal onde fazemos os treinos quando é impossível treinar no exterior. Se fosse em Portugal as condições eram excelentes, o clube dá-nos tudo. No inverno é difícil treinar no exterior mas o clube oferece todas as condições. Só falta um indoor de futebol 11 e acho que todos os clubes vão ter daqui a uns anos com o apoio da Federação".

A cultura nórdica e a falta de história no futebol

José Da Paz sente que as coisas estão bem encaminhadas, ainda assim, diz não existir um passado no futebol do país, o que leva a que muito poucas pessoas vão aos estádios.

"Não existe uma história no futebol estónio. Não existe um avô, um pai ou uma família ligada a um profissional. Acredito que em uma geração as bancadas estarão mais compostas. Hoje em dia só os jogos da seleção têm uma boa afluência. Todos os outros jogos, mesmo primeira divisão, é muito reduzido. No caso da formação é igual a Portugal, os pais e mais alguns. Nos seniores existe mais, mas não mais do que 50 a 100 adeptos".

O frio por si só custa, mas José Da Paz destaca a solidão nos meses mais frios como o maior obstáculo, especialmente para quem vem de Portugal.

"A nível cultural são pessoas fechadas, acho que mais pelo clima, em que à noite é impossível passear na rua, estar no exterior, logo as pessoas ficam em casa, não saem com os amigos, o que faz com que as pessoas sejam mais introvertidas. Por vezes, no inverno, a solidão é grande".

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