Desfibrilador interno que Eriksen vai usar é "anjo da guarda" do coração

O médico Mário Oliveira explica na TSF para que serve o desfibrilador interno e em que circunstancias é que deve ser implantado.

O jogador dinamarquês Christian Eriksen, que sofreu uma paragem cardíaca no primeiro jogo da seleção nórdica no Euro 2020, vai passar a estar munido de um desfibrilador interno para evitar futuras situações de perigo. O aparelho que Eriksen vai receber é, nas palavras do médico coordenador da unidade de Arritmologia, Pacing e Eletrofisiologia do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Mário Oliveira, como um pequeno "anjo da guarda" do coração.

"É um aparelho de pequenas dimensões, que tem uma bateria longa, de 10 ou 11 anos de autonomia, que é implantado com anestesia local, fica debaixo da pele e tem um elétrodo que vai até ao coração e, sempre que há uma anomalia, é capaz de atuar se a arritmia se mantiver", explica.

O aparelho tem essencialmente duas funções: "Uma é, através de estímulos dentro do coração, conseguir interromper grande parte das arritmias - e muitas vezes os doentes nem se apercebem do que aconteceu - e a outra é, quando o coração fica parado, dar um choque e fazer com que volte a funcionar."

O cardiologista explica que o aparelho deve ser implantado "nos doentes que já tiveram um episódio de morte súbita, quando o coração tem uma arritmia maligna e o doente colapsou. Quando um doente é reanimado - exceto se estiver numa situação de um enfarte agudo do miocárdio - e numa circunstância em que não há um fator que tenha sido causador desse episódio, tem de implantar um desfibrilador por não sabermos quando é que vai ter outro episódio."

Deve também ser colocado em "pessoas que nunca tiveram nenhum episódio, mas que estão em risco de morte súbita, nomeadamente as pessoas com deficiência cardíaca grave e sobreviventes do enfarte do miocárdio que ficaram com o ventrículo muito doente. Nestas circunstâncias, a implantação do cardiodesfibrilador acontece por prevenção primária. É o seu anjo da guarda", sublinha.

Cada caso é um caso e por isso os doentes devem ser sujeitos a uma apertada avaliação mas, de uma maneira geral, "as pessoas com este implante fazem uma vida normal. Há, inclusivamente, no desporto de alta competição, nomeadamente no basquetebol e futebol, exemplos de jogadores que são portadores de um desfibrilador e continuam a fazer a sua carreira".

São vários os fatores que podem provocar arritmia. Por exemplo, o desporto de alta competição, que "pode introduzir modificações cardíacas que a dada altura já não são boas e, às vezes, a conjugação de alterações cardíacas com uma situação viral ou com uma agressão por um determinado químico podem facilitar o aparecimento de uma arritmia. É uma área muito complexa."

No caso de Christian Eriksen, o cardiologista avisa que ainda não é possível dizer se vai ou não poder voltar aos relvados. Mário Oliveira afirma que isso depende sempre da existência, ou não, de outras patologias. "A arritmia é a manifestação de qualquer coisa. O que dita se o atleta pode continuar o seu trabalho é a patologia que está subjacente."

Em Portugal há milhares de pessoas com um desfibrilador interno. Fazem-se cerca de mil implantes por ano.

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