Desporto jovem adiado. Abandono, prejuízos no desenvolvimento e novos desportos

Milhares de clubes de associações desportivas debatem-se com o encerramento das atividades desportivas para os mais jovens. Para o psicólogo do desporto Pedro Almeida, na ausência de respostas para a prática de atividade física muitos jovens desviam-se do percurso em busca de outros interesses.

A paragem forçada das competições e treinos nos desportos de formação deixam sem acesso à prática desportiva milhares de jovens durante a pandemia. Para o psicólogo do desporto Pedro Almeida este período de interregno significa o quebrar de uma relação entre a escola, as famílias e os clubes desportivos que garantem um complemento importante na educação.

"As escolas e famílias tinham a parte desportiva integrada no processo de desenvolvimento do jovem, adolescente ou criança, porque todo este processo foi adiado", lembra o antigo psicólogo do Sport Lisboa e Benfica. Quebrou-se o laço entre a família, escola e desporto - clubes desportivos - que complementava a educação, explica. "Há algum comprometimento no que diz respeito ao desenvolvimento pessoal em alguma competência que não estão a ser trabalhadas".

O principal prejuízo diz respeito ao atraso no desenvolvimento de competências pessoais dos mais jovens."Numa primeira fase temos dimensões de desenvolvimento pessoal que acabam por ser afetadas. Não há uma solução definitiva, estamos sempre entre o que parece ser possível num momento e no momento seguinte já não é possível, no fundo estamos sempre a adiar, e nestes adiamentos passou um ano".

Com a maior parte das provas suspensas ou canceladas desde março de 2020, e sem datas para o regresso à atividade, acumulam-se prejuízos. "Um ano numa determinada fase da vida tem um determinado peso", explica Pedro Almeida. "Pode ter uma importância relativa para um adulto, mas numa fase em que somos adolescentes ou crianças as proporções são gigantes".

Diferentes pesos. Diferentes alternativas

Durante os últimos meses vários clubes de federações procuraram soluções alternativas para garantir que os atletas mantêm a prática desportiva. Dos estágios espalhados pelo país para escalões de formação, à manutenção de treinos - presenciais ou à distância -, diferentes clubes ou associações procuram soluções à medida dos recursos.

"Os atletas que querem fazer uma carreira profissional provavelmente vão fazê-la na mesma porque têm objetivos bem traçados", explica o antigo psicólogo do Benfica. "Aqueles que estão em clubes de menor dimensão, onde o futebol era apenas mais uma ocupação - e importa lembrar que as modalidades coletivas são as mais afetadas -, provavelmente descobriram que há outras áreas que são igualmente interessantes. Talvez possamos assistir a um crescimento dos desportos eletrónicos".

No trabalho que faz de acompanhamento de jovens atletas, Pedro Almeida sublinha que nem todos os jovens conseguem manter o interesse na atividade nas condições atuais. "Acompanho atletas que ainda praticam atividade física promovida pelo clube, ao contrário de outros que deixaram por completo o desporto (...) Pode acontecer que algumas modalidades possam ter uma quebra de praticantes, simplesmente porque esses praticantes sentiram que há outras coisas interessantes para fazer na vida".

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