"Dia negro para o Benfica." Francisco Benítez defende demissão de Vieira e órgãos sociais

Representante do movimento Servir o Benfica defende a demissão de Vieira se as suspeitas se confirmarem.

Francisco Benítez, do movimento Servir o Benfica, considera que quarta-feira foi um dia negro para o clube de Luz e que os órgãos sociais devem demitir-se depois de resolver os problemas urgentes.

"Foi um dia negro para o Benfica porque foi exatamente a subversão de todos os valores que regem o clube e estão nos fundamentos do Benfica. Todos temos de estar preocupados com o que vai acontecer e, sobretudo, vigilantes. O Benfica tem de ser protegido nessa matéria e os órgãos sociais que estão no clube têm o dever de zelar pelo bom funcionamento da instituição porque estamos no início de épocas desportivas", explicou Francisco Benítez no Fórum TSF.

O representante do movimento Servir o Benfica, que integrou também a lista de Noronha Lopes como candidato a presidente da mesa da assembleia geral, defende a demissão de Vieira se as suspeitas se confirmarem.

"Se as acusações se vierem a confirmar hoje, Luís Filipe Vieira não tem condições nenhumas para continuar à frente do clube, isso é claro para tudo e todos. Mesmo nesta situação, ele tem de preservar a instituição Benfica e deve afastar-se o máximo possível do clube, demitindo-se mas, ao mesmo tempo, também tem de se focar na sua defesa", acrescentou o representante do movimento Servir o Benfica.

O presidente do Benfica deverá ser ouvido esta quinta-feira em primeiro interrogatório judicial na sequência da sua detenção, na quarta-feira, no âmbito de uma investigação a alegados crimes de burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento.

Luís Filipe Vieira é uma das quatro pessoas detidas, que, segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), são suspeitas de estarem envolvidas em "negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades".

Está previsto que os quatro detidos sejam presentes esta quinta-feira a primeiro interrogatório judicial, do qual poderá resultar a aplicação de medidas coação, "com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e prevenir a consumação de atuações suspeitas".

O DCIAP informou na quarta-feira que foram detidos um dirigente desportivo, dois empresários e um agente do futebol e realizados cerca de 45 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária, em Lisboa, Torres Vedras e Braga.

Em causa estão "factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente" e suscetíveis de configurarem "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento".

O Benfica reagiu ainda na quarta-feira à detenção de Luís Filipe Vieira e a direção disse estar "firmemente determinada" a defender os interesses do clube lisboeta, pouco tempo depois de a SAD encarnada ter indicado que as funções do presidente serão "asseguradas nos termos previstos na lei e nos estatutos" da sociedade.

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