Coates esticou a perna, o Sporting tropeçou e o Famalicão aproveitou para liderar

O Famalicão, terceiro classificado do campeonato, visita Alvalade com o objetivo de voltar ao topo da tabela. Para isso, tem de vencer os leões.

De um lado, uma equipa ainda em construção, do outro um projeto recém-construído. O Sporting recebeu, esta segunda-feira, aquela que tem sido a equipa sensação do campeonato e deu-se mal. O Famalicão venceu por 2-1, regressou ao primeiro lugar e deu a Coates mais um pesadelo. O uruguaio voltou a marcar um autogolo letal para os leões.

Mais um jogo, mais um meio-campo leonino: desta vez foi Battaglia quem - regressado ao relvado e logo a titular - assumiu as despesas defensivas do miolo. À sua frente, Doumbia e Miguel Luís desempenhavam o papel de interiores, com Wendel a "fazer de Bruno Fernandes". Depois do losango de Eindhoven, um outro em Alvalade.

O Famalicão mostrou, desde cedo, que não andou pela liderança por acaso. A pressão do trio atacante fazia-se sentir na primeira zona de construção leonina, com Doumbia a servir de pêndulo e Bolasie a ser obrigado a vir buscar jogo (demasiado) atrás.

Aos 20 minutos, uma oportunidade para cada lado: primeiro foi Miguel Luís quem tentou um chapéu que saiu de aba ligeiramente larga. Depois foi Fábio Martins que, do meio da rua, obrigou Renan a aplicar-se. Na recarga, Martínez passou a bola ao guarda-redes.

Bruno Fernandes estava na bancada. Ou será que não? Aos 24 minutos, Vietto aproveitou um erro defensivo e algo entrou na sua cabeça. Talvez tenha sido o espírito do capitão leonino, porque as semelhanças são assustadoras. O argentino puxou o pé atrás e, bem de fora da grande área, soltou uma bola que ainda tocou na barra antes de entrar. Os aplausos do capitão foram instantâneos. Os de Alvalade também.

O filão estava a descoberto. O Famalicão insistia em sair a jogar ​​​​​​a partir da sua grande área, com o guarda-redes e os centrais a assumirem o primeiro passe. O Sporting percebeu a ideia e colocou Wendel, Bolasie e Vietto a pressionarem a saída de bola. O resultado era que de quando em vez, lá aparecia a bola nos pés de um médio sportinguista, com dois ou três colegas ao lado e caminho praticamente aberto para a baliza. Faltava discernimento, ou talvez hábito de estar numa situação dessas.

Certo é que a estratégia foi a suficiente para que o Sporting chegasse ao intervalo em vantagem. Depois disso é que foi pior.

A segunda parte começou com um Famalicão ligeiramente transfigurado e o Sporting sentiu isso cedo. Wendel perdeu a bola e viu Fábio Martins sair disparado para entregar a bola a Centelles. Em segundos, o espanhol entrou num slalom, fintou adversários e fez a bola chegar a Rúben Lameiras. O português não se fez rogado e enviou a bola para o canto inferior da baliza de Renan. Tudo empatado.

Na reação ao golo sofrido, Leonel Pontes decidiu tirar Vietto e lançar Jovane. O argentino saiu com cara de poucos amigos, Alvalade assobiou o treinador e temia-se o que pudesse surgir dali para a frente. Até porque, segundos depois, Martínez falhava a baliza de Renan por centímetros depois de cabecear entre os centrais. O Famalicão crescia a olhos vistos no jogo e, em poucos minutos, ameaçou a baliza leonina vezes suficientes para irritar até o mais calmo dos adeptos. Como se costuma dizer, cheirava a golo.

Por vezes diz-se que a melhor forma de defesa é o ataque, e Leonel Pontes terá tentado seguir essa máxima. A um quarto de hora do fim da partida, tirou o regressado Battaglia para lançar Jesé na partida e assumir um 3-4-3, com Doumbia na defesa e Jese, Bolasie e Jovane na frente. A resposta não demorou: João Pedro Sousa tirou Lameiras e lançou Diogo Gonçalves.

A maldição de Coates continua: o Famalicão sai em ataque rápido pelo corredor direito e, depois de um cruzamento, Coates faz-se à bola. Alvalade gela, o uruguaio estica o pé e confirma o que o cruel destino lhe tem oferecido: a bola rola para o fundo da baliza. Mais um autogolo do uruguaio. O Famalicão fazia o 2-1 aos 88'.

Hugo Miguel ainda esperou pelo VAR para confirmar o tento, algo que acabou por acontecer. O jogo acabava assim. O Famalicão regressa à liderança e coloca-se a oito pontos do Sporting.

Onze do Sporting: Renan, Rosier, Coates, Mathieu, Acuña, Battaglia, Doumbia, Wendel, Miguel Luís, Vietto e Bolasie

Onze do Famalicão: Defendi, Leionn, Nehuén, William, Centelles, Pedro Gonçalves, Guga, Gustavo Assunção, Fábio Martins, Lameiras e Martínez

O jogo é apitado por Hugo Miguel, auxiliado por Bruno Jesus e Ricardo Santos. João Bento o quarto árbitro, António Nobre vai estar no vídeo-árbitro (VAR), auxiliado por Paulo Brás (AVAR).

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