Do Real Madrid para a Mongólia, onde se exigem treinadores portugueses

Tiago José dos Reis começou a carreira na Escola Rui Águas, estagiou com Zidane no Castilla e no início de 2016 fez as malas e foi treinar para a Mongólia Interior, na China.

Antes das aventuras no estrangeiros, o treinador Tiago José dos Reis passou quase 20 anos por academias de formação de futebol, até que decidiu aventurar-se pelo Real Madrid. "Estive 13 anos na Escola Rui Águas, andei por vários clubes, Sporting, outros mais pequenos e entretanto fui fazer uma pós-graduação a Madrid, em 2014, em treino e direção de futebol. Estive seis meses a estagiar com o Zidane na equipa B, no Castilla. Era o treinador, mas era o melhor jogador da equipa. Foi uma boa experiência, além do Real Madrid visitámos as melhores academias da Europa, na Alemanha, Holanda... A partir daí surgiu a oportunidade de ir para a China."

O convite para ir para a China veio da academia de um nome bem conhecido do futebol português. "Recebi um convite do professor Joaquim Rolão Preto para trabalhar para a Academia Luís Figo, onde estive um ano e tal, e depois vim parar à Mongólia. Vim em fevereiro de 2016 e trabalhava só com portugueses, tinha o staff chinês, mas a coordenação era toda portuguesa e isso facilita bastante. Agora estou noutro projeto na mesma cidade, noutra academia que era do Figo, mas abriram uma nova academia e eu estou a coordenar um projeto na mesma cidade, só com treinadores portugueses. A cidade chama-se Ordos e fica no interior da China."

As fotografias não enganam e Tiago José dos Reis confirma que faz muito frio em Ordos, mas é pior para os portugueses, apesar de adultos, do que para os miúdos habituados ao clima agreste. "Faz muito, muito frio, é muito complicado. Os miúdos passam muito frio nos treinos, mas estão mais habituados do que nós. Esta cidade é de extremos, de novembro a março tem temperatura negativas, mais de 10 graus negativos, e já chegou a menos 25, e no verão faz muito calor." Ainda assim, e para uma cidade do tamanho de Lisboa, só há um pavilhão coberto e as crianças não nascem com o talento dos miúdos portugueses. "Esta cidade é talvez mais pequena do que Lisboa e tem um pavilhão, de resto é tudo na rua, não é nada coberto. A grande diferença no treino é em termos culturais, aqui não há cultura, quando nascem não têm um clube. Treinar, ir jogar, essa é a dificuldade. Aqui não nascem com qualidade para o futebol como em Portugal, mas devagarinho vamos lá. Trabalho com crianças entre os 5 e os 15 anos. Na China, a partir dos 15 anos, a escola dá muito trabalho, então os pais optam pela escola e tiram os miúdos do futebol."

Tiago José dos Reis chegou sem família à China, apenas com alguns colegas, mas passados dois anos já tem a mulher e os filhos por perto. "Ao início vim com alguns 12 colegas integrar a academia, mas estava sozinho. Ao fim de ano e meio a minha mulher e os meus dois filhos vieram ter comigo e desde agosto que vivemos todos cá. Para os meus filhos tem sido fácil, para a minha mulher nem tanto. Para mim quando cheguei não foi fácil, alimentação diferente, hábitos diferentes, tudo diferente. Mas a cidade é segura, as pessoas são afáveis e adaptei-me bem. Os meus filhos vão começar a escola em março numa escola internacional. Estão inscritos em Portugal, no ensino doméstico, mas agora vão frequentar a escola internacional em inglês e chinês. A língua é o maior problema, temos tradutores, e isso facilita bastante. Hoje em dia só preciso dela para coisas mais complicadas, mas já me desenrasco bem."

E há algum fascínio na China pelos treinadores portugueses? "A China está cada vez mais aberta ao futebol, a aposta tem sido uma loucura, e os portugueses já cá estão há muito tempo. Já cá estiveram 64 treinadores espalhados pelas academias todas. São exigidos treinadores portugueses pela qualidade do treino e pela formação que temos. Basta ver pela primeira liga chinesa com vários treinadores portugueses."

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