Dois fugitivos e um mecânico no regresso do público ao Alto da Torre

Aos 39 anos, Alejandro Marque está de regresso às vitórias na Volta a Portugal. Em 2013, levou a amarela final. Para já, lidera depois de uma prova de força na Serra da Estrela.

O dia começou agitado para aquele que viria a ser o protagonista. Alejandro Marque confessa que o quarto de hora mais difícil foi aquele em que esteve à espera do resultado do teste à Covid-19 que foi obrigado a fazer uma hora antes da partida. Dois ciclistas dos espanhóis da Caja Rural tiveram febre durante a noite, a equipa acabou por abandonar a prova por prevenção.

"Já ia dizendo: "Vão lá ver se está tudo bem ou não!"", explica, no final da etapa em que conquistou a amarela. "Estava ansioso, confesso que sim." Estava Alejandro e estavam todos os ciclistas. Ao olhar para o relógio, a meia hora do arranque da etapa, ainda se aguardavam os testes feitos às equipas que estiveram no mesmo hotel da Caixa Rural. Testes feitos a poucos metros da linha de partida, num processo rápido, mas, ainda assim, capaz de criar ansiedade e atrasar em dez minutos a largada.

Para os ciclistas, este dia era um enorme desafio. A etapa rainha da volta surge na 3.ª etapa, um teste de fogo para marcar diferenças. Um dia para perder a volta, não para ganhar.

Alejandro Marque chegou à Torre após 4:59.10 horas. Pelo caminho, pode ver o esforço de outros nas fugas, nas respostas, no cerrar de fileiras final entre alguns dos candidatos.

Pelo caminho ainda, o incidente de um dos heróis da tirada. Líder isolado à chegada à Covilhã - antes dos quilómetros em subida na Serra da Estela - Luís Gomes (Kelly/Cimoldes/UDO) tentou puxar de uma mudança que o ajudasse na subida. Acabou por saltar a corrente de distribuição, na roda traseira. Valeu a perícia de Carlos Carvalhinho, mecânico do carro neutro, que colocou a mão direita numa bicicleta em movimento, num jogo de pés e mão que mais fazia recordar as habilidades de lutador de boxe, pela velocidade e precisão.

Caso encerrado após pouco mais de 15 segundos, com uma bicicleta que não parou, e um mecânico que arriscou a integridade para fazer valer uma fuga de Luís Gomes. Só Marque alcançaria Gomes. Fê-lo nos quilómetros mais duros, conquistou uma vantagem suficiente para, na subida final, já com o público presente quase de metro a metro, conquistar a etapa e a camisola amarela.

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