Dois ou três bancos de distância para ver Hamilton fazer história

A chuva só apareceu depois de Hamilton cortar a meta. Ainda assim, na bancada central do Autódromo Internacional do Algarve nem sempre foi fácil manter as distâncias de segurança. O público tinha de usar máscara e a segurança era apertada.

Todos queriam ver a consagração de Hamilton. O público na bancada central moveu-se para os lugares onde tinham mais visibilidade para o pódio, colocado do lado oposto à meta. As distancias que se mantinham durante a prova foram esquecidas por momento até surgir a segurança. O público acalmou. Metros abaixo, no asfalto, Lewis Hamilton abraçou o pai. Em lágrimas o piloto inglês lembrava as dores que sentiu nas voltas finais para conquistar a vitória número 92 em provas da Fórmula 1 e bater o recorde de Michael Schumacher.

Hora e meia antes, o autódromo de Portimão deixou uma boa imagem aos visitantes. Na primeira curva o espanhol Carlos Sainz aproveitou uma nesga para assumir a liderança, ultrapassando Max Verstappen e os dois Mercedes. A liderança de Sainz foi momentânea, mas acabaria por arrancar das bancadas o primeiro aplauso.

De pé no acelerador, Valtteri Bottas demorou seis voltas a alcançar Sainz. O finlandês confirmou o que já tinha mostrado nos treinos livres e na qualificação, um ritmo elevado, a assumir o risco em cada curva, a forma que encontra para tentar provar que pode ultrapassar o companheiro de equipa Lewis Hamilton em qualquer prova, num dia feliz.

Na volta número 15 Lewis Hamilton indicou via rádio que estava a sentir problemas na roda dianteira esquerda. O sinal não era o mais positivo, mas pouco depois, numa reta longa, à passagem da volta 20, ultrapassou Valtteri Bottas e começou a cimentar a liderança em Portimão.

Junto à box da Mercedes, um dos técnicos olha o telemóvel à espera de informação sobre o tempo de Lewis Hamilton. De seguida coloca os números florescentes que indicam a vantagem sobre o segundo classificado, Bottas. A cada volta a vantagem sobe, tornando as voltas seguintes mais confortáveis para Hamilton. Seria assim até à passagem pela box, com uma distância larga - que chegou a ser de 15 segundos -,

A chuva chegou perto da volta 50, mas apenas com uma ligeira ameaça. Nas bancadas o público procura proteção dos carapuços dos casacos ou dos pequenos chapéus de sol. A bancada central, em frente às boxes, é a mais preenchida. Os grupos sentam-se com duas a três cadeiras de distâncias, todos de mascara. É possível evitar ficar imediatamente em frente a alguém nas filas superiores, pelo que a maior parte das pessoas tenta faze-lo.

Lewis Hamilton a manter o ritmo."I have a cramp", diz, no rádio. O piloto sente dificuldades físicas dentro do carro, mas o sinal de fragilidade não se refletia na condução. "Tinha dores musculares, tentei levantar o pé nas retas", explicou Hamilton minutos mais tarde, já depois da corrida. Até final, somou 46 voltas na liderança da prova, sempre a aumentar a distancia para a concorrência.

Antes de cruzar a meta, olhando para o lado direito, Hamilton pode ver toda a equipa da Mercedes em cima das grades de segurança. Ao sair do carro, após cruzar a meta, passou a mão pelo zona dianteira do Fórmula 1, um último agradecimento ao carro, símbolo do trabalho da equipa. "É uma vitória de todos", explicou no final.

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