Em Portimão e no Bessa: FC Porto e Sporting em busca do tempo perdido

Depois das vitórias de Famalicão e Benfica no sábado, aumentou a pressão sobre Porto e Sporting para as visitas deste domingo ao Portimonense (18h00) e Boavista (20h00). No caso do jogo do Bessa, a expectativa é ainda maior dada a estreia de Leonel Pontes no banco dos leões.

À partida para a jornada da Liga deste fim de semana (a quinta), correspondente ao início do segundo ciclo competitivo da temporada (após a pausa para jogos das seleções), o grande objetivo dos três grandes era recuperar os pontos que já perderam: nas primeiras quatro jornadas Benfica, Porto e Sporting todos eles conheceram o sabor da derrota, algo que não acontecia desde 2000/01 (quando o Boavista foi campeão).

O ciclo inaugural da prova - constituído por quatro jornadas - ficou marcado pela liderança do Famalicão, recém-promovido após 25 anos longe da primeira divisão. Uma proeza notável, de uma equipa construída de raiz sob o comando de João Pedro Sousa (na sua estreia como treinador principal).

Nesta quinta jornada, o Benfica já cumpriu a sua parte (vencendo o Gil na Luz), o mesmo fazendo o líder Famalicão (triunfo caseiro sobre o Paços), que para já segue sem derrotas (quatro vitórias e um empate). O Boavista é a outra equipa que ainda não perdeu na prova, o que torna a receção a um Sporting inquieto e renovado no encontro mais aguardado desta ronda.

Bruno Fernandes contra o melhor Boavista dos últimos anos

O Boavista sob o comandado de Lito Vidigal já não perde para o campeonato há oito jogos (quatro de cada época), somando seis vitórias e dois empates. É preciso recuar 12 anos para encontrar oito ou mais jogos consecutivos sem derrotas dos boavisteiros na Liga: aconteceu com Jaime Pacheco em 2006/07 (sete empates e duas vitórias).

Além disso, no Bessa a última equipa a ganhar foi exatamente o Sporting, a 9 de março de 2019, com os axadrezados a conseguirem desde então uma excelente sequência de resultados em casa: cinco vitórias e um empate.

O trabalho de Lito Vidigal no Bessa tem dado frutos, como fica bem patente numa análise curiosa: desde a sua chegada ao Bessa, à jornada 20 da liga transata, já somou 36 pontos no campeonato (em 19 encontros), o que corresponde ao quarto melhor desempenho, logo atrás dos grandes, e bem à frente de Braga, Moreirense e Rio Ave (todos com 28 pontos). Mesmo em relação ao Sporting, o Boavista tem apenas menos seis pontos neste período.

Já Sporting vive momento conturbado, após a saída de Marcel Keizer e as vendas de Bas Dost, Raphinha e Thierry Correia em cima do fecho de mercado. Tal como na época passada, aos leões tem valido Bruno Fernandes que, no campeonato, teve participação decisiva em sete dos oito golos da sua equipa. Na construção e concretização de oportunidades, esteve em 16 das 21 ocasiões de golo do Sporting.

Veremos agora como Fernandes se ressentirá da ausência de Raphinha, com o qual mantinha uma parceria produtiva. O brasileiro era o melhor marcador do Sporting, a par de Fernandes e de Luiz Phellipe (todos com dois golos), tendo ainda participado diretamente em 10 das 21 oportunidades de golo criadas pela equipa.

É igualmente grande a expectativa de perceber quais são as ideias de Leonel Pontes para o jogo do Sporting e que mudanças implementará numa equipa cujos números coletivos são até agora bastante fracos para um candidato ao título: apenas quatro remates no alvo em média por jogo e cinco ocasiões por partida; só um golo de ataque rápido concretizado e outro de bola parada em cinco jogos realizados (incluindo também a Supertaça).

Pontes sabe que vai encontrar um Boavista muito batalhador, forte no jogo aéreo (tal como na época passada é o conjunto que ganha mais duelos aéreos: média de 21 por partida contra 13.5 do Sporting). Os portuenses darão com certeza a iniciativa de jogo aos leões: o Boavista é a equipa que tem menos posse de bola média no campeonato (45%), mas luta até à exaustão e não deixa jogar o adversário, principalmente no Bessa.

A história recente diz que o Sporting tem-se dado bem no reduto boavisteiro em jogos de campeonato (desde o regresso dos axadrezados, em 2014, quatro triunfos leoninos e somente um empate). Isto num campo em que o Sporting tem registo claramente negativo, chegando a ser uma espécie de trauma para os verdes e brancos: em 30 anos (entre 1970 e 2000) apenas ganharam lá uma vez (1990).

Mais um passeio portista ao Algarve ou o regresso dos dramas dos anos oitenta?

Os dramas portistas em Portimão parecem ser coisa do passado longínquo (a última derrota foi em 1986/87, um desaire que até contribuiu decisivamente para a perda do tricampeonato para o Benfica). De terreno amaldiçoado, Portimão passou a local de passeio para os dragões desde o regresso dos algarvios ao convívio dos grandes: goleadas de 3-0 (2018/19) e 5-1 (2017/18), ambas com Sérgio Conceição.

Aliás, o Portimonense é mesmo o maior cliente das goleadas do Porto nas duas temporadas mais recentes: em cinco jogos, 20 golos sofridos.

Se no caso de Benfica e Sporting há um jogador em plano de enorme destaque (Pizzi e Bruno Fernandes levam as respetivas equipas às costas), no Porto, no que levamos de campeonato, essa função está mais dividida: Alex Telles esteve em seis dos 10 golos marcados pelos azuis e brancos, Zé Luís em cinco e Marega em 4.

Em termos coletivos, já se tornou um cliché dizer que os portistas vivem muito das bolas paradas ofensivas. Mas contra factos não há argumentos: até ao momento, na Liga, metade dos seus 10 golos foram obtidos desta forma, num total de oito oportunidades criadas de bola parada (uma eficácia notável).

Ao mesmo tempo, as transições rápidas do Porto estão mais letais do que nunca: no campeonato, deram origem a quatro golos, pelo que se antevê um Portimonense especialmente preocupado em não se desequilibrar defensivamente, até porque é uma equipa que tem alguma tendência para o fazer.

Claro que ninguém esqueceu ainda que, no seu campo, os algarvios venceram o Benfica e o Sporting na liga passada, mas este ano já perderam em Portimão com os leões, continuando a demonstrar alguma orfandade de Nakajima, que está agora exatamente no Porto, onde ainda não se afirmou (apenas 29 minutos nos quatro primeiros jogos da Liga).

Desde que o japonês saiu do Portimonense em janeiro (o seu último jogo foi uma vitória por 2-0 sobre o Benfica), a equipa de António Folha apenas venceu cinco vezes em 23 partidas do campeonato e não fossem os pontos amealhados até então (que lhe garantiam o sétimo lugar à 15º jornada) e podia não estar hoje entre os grandes.

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