Ensinar ténis nas escolas de Vila Real e esperar que de lá saiam alguns "Nadal" ou "Federer"

Iniciativa está a decorrer até 15 de maio e esperar incutir o gosto pela modalidade a 800 alunos do primeiro ciclo do Agrupamento Diogo Cão.

Quase 800 crianças do concelho de Vila Real estão a aprender a jogar com bolas e raquetes. A primeira fase do programa "A minha escola tem ténis" está em curso, até 15 de maio, nas escolas do primeiro ciclo do Agrupamento Diogo Cão.

A formação está a cargo da Associação de Ténis do Porto. A TSF acompanhou uma das aulas dadas por Rui Silva a 20 alunos do terceiro ano do primeiro ciclo na escola básica do Bairro das Flores, em Vila Real.

Enquanto entregava uma raquete a cada uma das crianças e lhes pedia para a manusearem "como se fosse o melhor amigo", Rui Silva explicava que deviam dar toques com a bola como se esta fosse "um ovo". Ou seja, não o podiam deixar cair, sob pena de se partir.

Entre os miúdos há quem já tenha experiência adquirida em jogos com os pais. É o caso de Rafael Vaz, de 8 anos. Confessa que "gostava de ser como o Rafael Nadal", o tenista espanhol que é o seu ídolo.

Tomás Ribeiro nunca jogou ténis, mas gostou do primeiro contacto com a modalidade, considerando-o "uma experiência muito agradável" que o fez "sentir-se melhor". João Almeida diz que foi "uma surpresa" ter uma aula de ténis incluída no horário da manhã, "muito divertida", enquanto Maria Sofia confessa que se a bola fosse mesmo um ovo "já se teria partido".

O treinador da Associação de Ténis do Porto, Rui Silva, salienta o interesse que as crianças demonstram desde o primeiro momento. Para ele é importante "vê-los felizes" e o apreciar o prazer evidenciado pela forma como vão para intervalo a gritar "ténis, ténis, ténis!" Rui Silva frisa que "o mais importante é que eles ganhem gosto" pela modalidade. É que "se eles o ganharem vão jogar, caso contrário não terá valido a pena".

Para que o primeiro contacto com a bola de ténis não seja desagradável, outro Rui Silva, que é o coordenador técnico da Associação de Ténis do Porto, explica que o material é diferente do profissional e é aconselhado pela Federação Internacional de Ténis. Dá o exemplo das bolas, que "são ligeiramente maiores e que têm um ressalto de menos 75% em relação a uma bola normal". A usada pelos adultos é "mais dura e salta muito mais". O objetivo é que o pequeno aprendiz "tenha sucesso logo na primeira aula". Um sucesso que, para quem está a começar, se traduz em "passar, pelo menos, 10 bolas por cima da rede".

Para justificar a aposta neste tipo de iniciativas, Licínio Pereira, subdiretor do Agrupamento de Escolas Diogo Cão de Vila Real, assume que é preciso "libertar os meninos, deixá-los saltar e cair, tirar aquele colchão de suporte que todos os pais dão". Daí que a instituição esteja disponível para todas as ações que vão naquela direção. Os professores também têm uma ação de formação par lhes demonstrar que é fácil ensinar e praticar aquela modalidade desportiva.

O presidente do Clube de Ténis de Vila Real, José Ribeiro, espera que a atividade "A minha escola tem ténis" permita aumentar muito o número de praticantes no concelho, de modo a viabilizar uma escola que começa a dar os primeiros passos. Mesmo que para isso tenha de correr o risco não ter campos suficientes para jogarem. "Espero bem que sim. Seria ótimo", sublinha, reforçando que, para já, "o importante é resolver o problema de não ter alunos". Quando estiver resolvido pensará nos outros.

Sobre a importância do ténis, Rui Silva acrescenta que este desporto proporciona aos miúdos alguma preparação para a vida. Exemplifica com a rede, que é um obstáculo para quem joga. "Durante a vida, as crianças vão ter muitos obstáculos (redes) para ultrapassar". O árbitro é como "uma pessoa que pode ter uma opinião diferente e na vida vão encontrar muitas assim". Por isso, "através do desporto estão a ser ensinados a lidar com esse tipo de situações".

Há quem considere o ténis um desporto de elite, mas Albino Mendes, da Associação de Ténis do Porto, coordenador do fomento da modalidade em meio escolar, tenta desmistificar aquela ideia. Nota que estará "associada a nuances, como as regras, a indumentária, a maneira de ser e de estar". E vinca que, ao contrário do que acontece noutras modalidades, "no ténis é impensável chamar nomes a um adversário ou a um árbitro, porque é logo banido do torneio". Talvez seja, na sua opinião, "o alinhamento de bons comportamentos que faz que com que seja visto como elitista".

Para já, são quase 800 as crianças de Vila Real que estão a aprender a jogar ténis, mas o número pode duplicar no próximo ano letivo. A Associação de Ténis do Porto tem programas de aprendizagem semelhantes a decorrer nos distritos do Porto, Braga e Viana do Castelo, com mais de seis mil pessoas envolvidas. Em breve espera que o distrito de Bragança também possa ser abrangido.

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