"Está impossível sair de Kiev." Português na Ucrânia pede "ajuda" ao Governo

Diretor da formação do Shakhtar Donetsk está com os jogadores e staff do clube num hotel em Kiev.

Edgar Cardoso, diretor da formação do Shakhtar Donetsk, está com os jogadores e staff da equipa num hotel, à espera de novidades por parte do clube e das embaixadas. Para já foram aconselhados a deslocarem-se até à fronteira com a Polónia ou Roménia, mas o português garante que é "impossível sair de Kiev".

"A embaixada aconselha a tentarmos deslocar-nos até à fronteira com a Polónia ou a Roménia, mas está impossível sair de Kiev. Há milhares e milhares de carros completamente parados, filas de quatro horas para andar 15 quilómetros e para já não me parece uma solução", contou à TSF Edgar Cardoso.

Na capital ucraniana os postos de combustível estão encerrados, já não há dinheiro no multibanco nem bens essenciais nos supermercados.

"Voou tudo dos supermercados: água, pão e outros bens essenciais. O ambiente está complicado neste momento", explicou o português.

O líder do futebol de formação do Shakhtar Donetsk não duvida de que o Governo português está a fazer de tudo para ajudar os portugueses que estão na Ucrânia, mas também não hesita em pedir mais informação e ajuda.
"Gostávamos de ter uma mensagem mais clara, sobre se vai haver alguma atualização, se há algum plano de evacuação, mesmo que não seja pelo ar, mas precisamos de ajuda", afirmou Edgar Cardoso.

Na quarta-feira, português contou à Lusa que o ambiente em Kiev era "absolutamente normal" apesar do agravamento da situação político-militar na Ucrânia.

"Por estranho que possa parecer, nada no quotidiano e nas rotinas do povo ucraniano foi alterado. As crianças continuam a ir às escolas, os treinos e os jogos prosseguem e há também centenas de pessoas na rua como habitual. Pelo que vejo, vive-se um clima de aparente normalidade em Kiev", frisou o diretor português, de 38 anos, em declarações, por telefone, na quarta-feira.

Ainda assim, Edgar Cardoso contou que viu jovens futebolistas do clube residentes em Kiev em lágrimas pela notória distância das suas famílias face ao agravamento da situação político-militar na Ucrânia.

"Há quem chore, há que esteja um bocadinho mais emocional. Se tocar no assunto no final do treino com algum atleta que está connosco em Kiev, mas tem família na zona de maior conflito, há alguma emoção", confidenciou o dirigente.

O primeiro-ministro garantiu esta quinta-feira que Portugal tem um plano de evacuação de cidadãos portugueses e luso-ucranianos da Ucrânia e que há abertura para o acolhimento de familiares dos ucranianos residentes no país.

"Está estabelecido um processo de evacuação e que será ativado se e quando for solicitado que assim aconteça", explicou António Costa.

ACOMPANHE AQUI A ESCALADA DE TENSÃO ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA

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