"Estes meninos eram tão puros... foi uma coisa maravilhosa"

Hugo Martins pendurou as botas graças a uma lesão e apaixonou-se pelo treino. O português, a treinar na Índia ao serviço do Delhi United, é o convidado do programa "Treinadores portugueses pelo mundo".

Aquele 1.º Dezembro-Benfica no Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril, para a Taça de Portugal foi o episódio "mais mediático" da carreira de Hugo Martins. O treinador de 40 anos, atualmente no Delhi United da Índia, e que viveu com a equipa da casa um Mundial de sub-17 naquele país, é o último convidado do "Treinadores portugueses pelo mundo", um programa conduzido por Ricardo Oliveira Duarte e que vai para o ar à segunda-feira a partir das 18h30.

Hugo, filho Fernando Martins -- ex-jogador de Atlético, Estoril Praia, Marítimo, Farense e Portimonense, por exemplo --, lembra-se bem da infância, de acompanhar o pai e de querer seguir-lhe as pisadas. "Lembro-me de, com quatro, cinco anos, no Marítimo assistir aos treinos, mesmo no Farense e Portimonense. A minha vida sempre foi ligada ao futebol. Tentei seguir os passos do meu pai e jogar futebol, e fi-lo até aos 21 anos. Depois tive uma lesão..."

O gosto pelo jogo não ficaria longe da sua vida por muito tempo. "Uns anos mais tarde veio a necessidade de continuar ligado ao futebol. Sinceramente nunca pensei ser treinador de futebol. Sempre gostei. Surgiu por um desafio de um amigo meu", conta, informando que o tal amigo lhe augurou perfil para a coisa, aconselhando-o a tirar os cursos de treinador. Assim fez, tirou o primeiro nível e começou pouco depois a treinar. "Descobri uma paixão. É quase tão forte como ser jogador... se bem que ser jogador é bem melhor", garante, entre risos.

No tal jogo para a Taça de Portugal, no 1.º Dezembro-Benfica (14-10-2016; 1-2), foi "talvez o momento mais mediático", lembra, não deixando cair outras lembranças no currículo. "Era o treinador principal, mas tive outros momentos no União da Madeira, em que vencemos Sporting e empatámos com o Benfica, no espaço de quatro dias. Também foi um momento alto, num período difícil."

O convite para ir para o futebol indiano partiu de Luís Norton de Matos. "Eu trabalhei com o Norton de Matos no União da Madeira e Chaves. Quando o convite lhe foi feito, quando aceitou, falou comigo. Também era um sonho: trabalhar na preparação de uma equipa para um Mundial de futebol. Apesar de ser sub-17, é um Mundial de futebol. Estão juntos os melhores jogadores do mundo daquele escalão." E uma das coisas que leva, para além da experiência no futebol, o entusiasmo à volta da competição, foi a atitude dos miúdos, que em nada tem a ver com a dos europeus, já com outra matreirice naquela idade. "Estes meninos eram tão puros, o que tem a ver com a cultura indiana e a educação... foi uma coisa maravilhosa."

Hugo Martins, que revela algum choque cultural aquando da sua chegada e adaptação, diz que a experiência de defender a equipa da casa naquele Campeonato do Mundo foi especial. "Foi fantástico. O desporto principal da Índia é críquete, [mas] fomos bastante apoiados, com 60 mil pessoas. O ritmo, a manifestação de alegria... O primeiro jogo foi com os Estados Unidos, sentimos um apoio excecional. É difícil de preparar, nenhum destes miúdos tinha jogado nem sequer perante cinco mil, quanto mais 60 mil... Foi positivo e não diminuiu a nossa confiança."

Veja aqui as outras edições do "Treinadores portugueses pelo mundo".

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