Parece haver "maior sensibilidade" da polícia sobre racismo no futebol

Depois dos dados do Ponto Nacional de Informações sobre o Desporto, Daniel Seabra aconselha "esperar mais algum tempo" porque o caso Marega pode ter contribuído para um fenómeno de "maior sensibilidade" da polícia para os casos de racismo no futebol.

"Depois do acontecimento registado aquando do abandono de campo de Marega em Guimarães parece haver da parte das forças policiais uma maior sensibilidade para proceder ao registo de manifestações racistas", admite Daniel Seabra, antropólogo que realizou uma tese de doutoramento sobre claques.

Devido a esse episódio, o antropólogo, em declarações à TSF, acredita que "para poder assegurar que existe um aumento significativo de incidentes racistas nos estádios de futebol é preciso esperar mais algum tempo". Desde agosto de 2021 e até dezembro, a PSP, com o Ponto Nacional de Informações sobre o Desporto (PNID), já registou 64 ocorrências de incitamento à violência, racismo, xenofobia, intolerância ou ódio, do qual resultaram 77 adeptos detidos, 312 identificados e 50 expulsos.

Na opinião de Daniel Seabra, o caso Marega pode ter contribuído para um fenómeno de "maior sensibilidade" da polícia para registar "incidentes de cariz racista".

O antropólogo alerta para um grupo de adeptos que, devido ao maior controlo das claques, optaram por "abandonar os grupos" e passaram a viajar "em pequenos grupos e em carros particulares, o que torna o controlo da PSP mais difícil".

Estes grupos, segundo Daniel Seabra, "provocam incidentes não só com claques adversárias", mas também com a agressão, fora do recinto desportivo, "a adeptos identificados com o outro clube, mas que não pertencem às claques do clube adversário".

Por isso, o antropólogo acredita que a polícia tem sido alvo "de interação conflituosa" com os grupos organizados.

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