F1 em Portimão. O primeiro dia na "montanha russa" onde se sai das curvas a olhar o céu

Projetado pelo português Ricardo Pena, o traçado da pista do Autódromo Internacional do Algarve surpreende até os mais experientes na Fórmula 1. Espreitar a pista das bancadas impressiona, mas é no asfalto que se sente a vertigem das subidas e descidas, mesmo que feitas a menos de 50 km/h.

Sebastian Vettel chega a Portimão após uma época para esquecer, mas acredita que esta pista pode significar o "ponto de viragem na sua temporada",até porque, diz, quer deixar a Ferrari com "dignidade". Mas porque pode esta pista, uma novidade no mundial deste ano, ser uma janela de oportunidade? O antigo campeão do mundo não tem dúvidas. Não só o traçado torna imprevisível o que vai acontecer no Algarve, como os pilotos têm aqui uma boa oportunidade para se divertir.

"A pista parece uma montanha russa, com muitas subidas e descidas", explica à margem da prova em declarações à TSF. Acredito que esta prova poderá marcar, para mim, um ponto de viragem, conseguir alcançar um bom resultado que me faça crescer para o restante das provas numa temporada que está a ser verdadeiramente difícil", acrescenta.

E as primeiras voltas na "montanha russa" não lhe correram mal. Fez bons tempos, entre os melhores nos primeiros treinos livres. "O circuito parece, definitivamente, muito desafiante. Há muitas subidas e descidas, muitas curvas cegas, muitos pontos sem visibilidade. Vamos demorar um pouco a conhecer a pista, mas pistas como esta são sempre muito divertidas para quem está no carro", explica Vettel.

O Grande Prémio de Portugal é uma novidade imposta pela pandemia. Algumas das provas previstas no início do ano foram canceladas, obrigando a organização a encontrar soluções entre os autódromos que aspiram a um lugar entre as escolhas habituais no calendário da Fórmula 1.

Entrar na curva a olhar o céu

O circo da Fórmula 1 baixa a guarda ao final da tarde. Duas horas depois dos pilotos abandonem a pista, após os treinos livres, há ainda quem fique por lá. Os fotógrafos aguardam transporte que há de chegar num pequeno autocarro. Ao largo, junto às boxes, os pneus são lavados, arrefecidos pelas equipas técnicas das marcas. Há até quem aproveite as curvas para uma pequena corrida a pé, com auriculares nos ouvidos, para deixar para trás o stress, ou afastar a mente do desafio dos dias seguintes.

Para o antigo piloto português Rui Chagas, este é o momento de se fazer à pista. Não ao volante, mas em cima do reboque de um camião, acompanha alguns dos entusiastas que passaram a tarde a assistir aos treinos. A visita à pista, guiada pelo piloto, começa com entusiasmo. A primeira curva é apertada, em descida, um cartão-de-visita da pista de Portimão.

"Num carro de turismo esta seria uma curva em que teríamos de reduzir de uma sexta [velocidade] para uma terceira. Na Formula 1 vão em sétima, mudam para uma quinta. Travam a fundo e logo depois têm mais uma curva". Está feita a apresentação da pista. Os metros seguintes permitem aumentar a velocidade, embora sempre com ligeira inclinação.

Ao passar a torre mais um desafio. "Há provavelmente cinco situações aqui na pista em que os pilotos saem da curva e está, literalmente, a ver o céu", diz entre risos Rui Chagas. Olha para cima, fecha os olhos, continua depois apontando. "Ali em frente, o pilar 17 é a referência", explica assinalando a presença de uma caixa retangular coloca verticalmente, com uma indicação numérica. É o ponto no qual os pilotos se focam para preparar a trajetória na curva seguinte, quase invisível, que foge do horizonte os 40 km/h a que circula o camião-turístico, imagine-se a mais de 200 km/h.

Mas é o final que mais entusiasma Rui Chagas, porque apela à memória das grandes corridas. "Os carros entram com tanta velocidade, sem apoio qualquer. As ultrapassagens são possíveis, vamos ver alguns pilotos a bit naughty - com um tanto ou quanto de malandrice -, encostar o outro piloto ao muro, um pouco a lembrar Prost vs Senna no Estoril, em 1984. Será fantástico", imagina o antigo piloto português.

A TSF no Grande Prémio de Portugal a convite da Mission Winnow, uma iniciativa da Philip Morris International e principal parceiro da Scuderia Ferrari

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