Festejos do Sporting. Medina reconhece que "várias coisas não correram bem"

Presidente da Câmara de Lisboa considera que, se nada tivesse sido feito, teriam existido centenas de pessoas concentradas na cidade de Lisboa.

Fernando Medina sublinhou que, sem o estado de emergência, não havia limitação de questões horárias e que a grande preocupação da Câmara de Lisboa para os festejos do Sporting foi o Marquês de Pombal.

"Por isso trabalhámos num cenário muito difícil, em que sabíamos que iria haver largos milhares de pessoas nas ruas. A tradição na cidade de Lisboa é a concentração no Marquês de Pombal, com mais de cem mil pessoas. A proposta que estava em cima da mesa, de não se instalar um palco no Marquês e haver um autocarro a fazer ida e volta, onde as pessoas pudessem estar distribuídas a ver a sua equipa, era uma situação que permitiria reduzir os ajuntamentos", explicou Fernando Medina.

No entanto, reconhece que "é evidente que houve várias coisas que não correram bem", mas considera que, se nada tivesse sido feito, teriam existido centenas de pessoas concentradas na cidade de Lisboa, possivelmente no Marquês.

"A alternativa de não se organizar nada, que foi a alternativa do Porto no ano passado, teria levado à convicção de uma situação caótica na cidade. Por isso é que a nossa preocupação foi em criar um modelo em que o autocarro circulasse por esses seis quilómetros e isso ajudou a minorar uma situação que podia ser muito pior. Fomos absolutamente escrupulosos, exercendo todos os poderes que temos", defende o presidente da Câmara de Lisboa.

Medina disse ainda desconhecer que a PSP tenha emitido um parecer negativo à festa que se realizou junto ao estádio de Alvalade e reiterou que a autarquia "não tem nenhum poder de autorizar manifestações".

"Eu vi notícias das fontes associadas à polícia [...] que induziram em erro notícias que alguns jornalistas publicaram, invocando que havia um parecer negativo contra essa organização. Se o há eu não o conheço. E se o há deve ser dirigido internamente à polícia ou ao Ministério da Administração Interna", disse Fernando Medina (PS) aos jornalistas, à margem da reinauguração das instalações do Supremo Tribunal de Justiça.

Além de rejeitar alimentar um "jogo de passa-culpas", o autarca também não aceita responder por competências que não tem.

"Tenho a convicção de que fizemos o melhor do ponto de vista de evitar aquilo que considerei ser o maior risco. Na mente de todos esteve sempre uma preocupação partilhada: tentar evitar uma concentração descontrolada. Trabalhámos sempre no quadro das nossas competências", acrescentou Medina.

Sobre a receção da equipa do Sporting na Câmara de Lisboa, o autarca repete que "não vai haver abertura da Praça do Município, evitando aglomeração".

O Sporting sagrou-se na terça-feira campeão português de futebol pela 19.ª vez, 19 anos após a última conquista, e durante os festejos ocorreram confrontos entre os adeptos e a polícia.

Milhares de pessoas concentram-se junto ao estádio, quebrando as regras da situação de calamidade em que o país se encontra devido à pandemia de Covid-19, em que não são permitidas mais de dez pessoas na via pública, nem o consumo de bebidas alcoólicas na rua.

O primeiro-ministro anunciou na quarta-feira no Parlamento que o Governo pediu à Inspeção-geral da Administração Interna a abertura de um inquérito à atuação da PSP nos festejos do Sporting como campeão nacional de futebol.

Em comunicado, a direção nacional da PSP refere que os festejos dos adeptos do Sporting em alguns locais de Lisboa resultaram em "alterações relevantes da ordem pública" e que foi necessário reforçar o dispositivo policial para "restabelecer a ordem e tranquilidades públicas" e "conter as desordens", que consistiram "no arremesso, na direção dos polícias, de diversos objetos perigosos, incluindo garrafas de vidro, pedras e artefactos pirotécnicos, que também atingiram outros cidadãos".

A PSP diz que usou a força pública, incluindo o disparo de balas de borracha, para fazer face aos comportamentos "desordeiros e hostis por parte de alguns adeptos".

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