"Fiquei inconsciente. Estava com muito medo"

Bas Dost revelou em tribunal que foi agredido por duas pessoas durante o ataque à Academia de Alcochete. O ex-jogador do Sporting garantiu perante a juíza que teve "muito medo".

O ex-jogador do Sporting, Bas Dost, revelou esta quarta-feira no tribunal de Monsanto, detalhes das agressões de que foi alvo durante o ataque à Academia de Alcochete, em maio de 2018. O holandês descreveu, em mais uma sessão do processo judicial, o momento em que foi falar com os invasores e foi alvo da ira de um dos suspeitos.

"Estava no corredor quando eles apareceram. Queria falar com os invasores para perguntar porque estavam ali. Fiquei sozinho cá fora com todos eles e houve um que até levantou o polegar e pensei que só queriam falar. Mas depois um homem grande com uma máscara veio na minha direção e bateu-me. Não vi o que ele tinha na mão mas deu-me com um objeto na cabeça. Nesse momento caí imediatamente no chão. Começou-me a dar pontapés", revelou o internacional holandês.

"Essa pessoa disse que outro também me devia dar pontapés. Depois estava no chão com duas pessoas a dar-me pontapés. Por cinco segundos fiquei inconsciente. Lembro-me que o João Rolan me ajudou a levantar. Tinha muito sangue na cabeça. Levou-me para um sítio diferente e disse-me que tinha de voltar para o balneário porque tinha de ajudar mais gente. Eu posso ter sido um pouco egoísta mas pedi para ficar com ele porque estava mesmo com muito medo", acrescentou.

O avançado, que marcou 93 golos nas três épocas em que esteve em Alvalade, afirmou que os dias após o ataque "foram terríveis". "Estava sempre com medo de estar sozinho quando ia à rua ou ao supermercado."

O jogador que se transferiu para o Eintracht Frankfut pensou "que seria bom sair do país" porque a "mulher estava grávida e foi para a Áustria durante três semanas", sublinhando ainda que recebeu "tratamento de um terapeuta e que nunca tomou medicação".

O processo, que está a ser julgado no tribunal de Monsanto, tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, "Mustafá", líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados de autoria moral de todos os crimes.

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