Fumava dois maços por dia. Quis mudar e começou a atravessar países a correr

O ultramaratonista Carlos Sá é o primeiro convidado do "Tudo Menos Futebol", um espaço de entrevista cujo nome diz tudo.

"Não há aventura que compense o risco de nos magoarmos, ou de perdermos a nossa vida". Quem o diz é alguém que tem a "voz da razão" no que diz respeito a ultramaratonas, Carlos Sá.

Fumava muito - dois maços por dia - mas, numa situação de desemprego, descobriu que tinha uma capacidade física muito fora do comum. Lançou-se oficialmente nas ultramaratonas em 2008 e trilhou, desde aí, um percurso de sucesso. Antes, "subir 33 degraus em casa era um grande esforço".

É o atleta de Ultra Trail mais conhecido de Portugal, tendo sido campeão de Portugal em 2013, e um dos mais famosos do mundo. Detém o recorde mundial da subida e descida da montanha mais alta do continente americano, a Aconcágua, na Argentina e já atravessou, por exemplo, a Gronelândia.

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A realidade das ultramaratonas é dura e passa por "rios onde andam todos os bichos e mais alguns e nós sem garantias de segurança". Muitas das vezes, "está só um voluntário" lá do outro lado de um rio que pode ter, por exemplo, crocodilos. "Durante a noite, ligávamos o frontal e via-se os olhos deles", conta Carlos Sá, que acrescenta que "às vezes nem um barco tinha".

Uma maratona passa a ser "ultra" quando excede a distância da prova tradicional, de 42 km. Para além da distância, há um outro critério que ajuda a definir uma ultramaratona: o do tempo. Seis, 12, 24 ou 48 horas são alguns dos tempos para os quais se aponta em algumas destas provas.

Carlos Sá dá o exemplo do Ultra Trail de Mont Blanc, com 170 km de extensão e garante que "ninguém se consegue preparar para correr essa distância. Temos que estar bem fisicamente, mas é a nossa capacidade mental e a nossa capacidade de superação que nos leva à meta".

Esta é uma prova que tem 10 mil metros de desnível positivo, o que "para quem não entende bem esta linguagem, é subir da Covilhã à Torre, e descer, 10 vezes". Num cenário como este, Sá lembra que o corpo "vai quebrar". "Seja aos 80 ou aos 100 km, é depois a nossa capacidade de desligar da dor e do sofrimento que nos permite arrastarmo-nos, digamos assim, até à meta".

Carlos Sá já não mantém um ritmo de participação em provas tão grande quanto a de outros tempos. Entre participar e organizar, garante que gosta de ambas, até porque em criança ajudava o pai a organizar as provas na terra-natal, "a recolher camisolas e a pedir prémios". Esse gosto, mantém-no até aos dias de hoje.

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