Governo quer "tolerância zero" à violência no desporto. Liga considera sanções exageradas

O secretário de Estado do Desporto defende declara como objetivo a "tolerância zero" à violência nos estádios e acredita no apoio dos clubes desportivos. Mas a Liga tem reservas quanto a algumas das propostas.

No Fórum TSF, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, confirmou as medidas previstas na proposta de lei que chegou à Assembleia da República na última semana. A proposta prevê sanções como multas até 200 mil euros, castigos de até 12 jogos à porta fechada e a proibição de entrada nos recintos desportivos aos adeptos condenados por violência.

João Paulo Rebelo afirmou que não se tratam de medidas radicais, mas que o objetivo é acabar efetivamente com a violência no desporto.

Há tolerância zero com a violência no desporto", garantiu o secretário de Estado, acrescentando, no entanto, que as propostas "são feitas com a necessária ponderação e razoabilidade (...), para não se passar do 'oito' para o 'oitenta'".

O secretário de Estado acredita que os clubes desportivos irão apoiar as medidas propostas pelo Governo, uma vez que seguiram o processo desde o primeiro momento.

"Os principais clubes estiveram envolvidos na discussão e na preparação desta alteração", já que é nos seus eventos desportivos que acontece a maioria dos casos de violência, esclareceu João Paulo Rebelo.

Ouvido no Fórum TSF, o diretor executivo da Liga Portugal, João Martins, pede que a Liga seja ouvida na Assembleia da República sobre estas propostas.

João Martins sublinha que a violência no desporto não acontece no interior dos estádios, mas no exterior e em situações pontuais e, embora concorde com algumas das medidas em cima da mesa, tem reservas em relação a outras.

"Vejo com bons olhos o fecho de determinados setores onde, realmente, ocorram episódios de violência coletiva. Agora não podemos, num estádio com até 60 mil pessoas, deixar que 80% sejam impedidas de assistir a um espetáculo desportivo porque um número reduzido de pessoas tiveram um mau comportamento", defendeu.

*com Manuel Acácio e Guilhermina Sousa

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