Guilherme Farinha. O português com o passaporte cheio que é rei nas Américas

Com carimbos em Portugal, Holanda, Guiné-Bissau, Costa Rica, Irão e Guatemala, Guilherme Farinha é o convidado desta semana do "Treinadores Portugueses Pelo Mundo".

Em 78 emigrou pela primeira vez. O destino foi a Holanda. Era ainda jogador e teve a ajuda de um cunhado, para experimentar a ala direita de um clube de menor expressão. A carreira no país da "Laranja Mecânica", entre 78 e 82, levou-o a vestir as camisolas de clubes da segunda divisão daquele país, em Eindhoven. Mais tarde, começou a aventura como treinador, que o levaria aos quatro cantos do mundo. Guilherme Farinha, de 62 anos, é o convidado desta semana do "Treinadores Portugueses Pelo Mundo", um programa conduzido por Ricardo Oliveira Duarte.

"Tive de mudar toda a minha vida", conta à TSF Guilherme Farinha, que decidiu aceitar o desafio do marido da irmã, um guarda-redes holandês, no final dos anos 70. Naquela altura Johan Cruyff, então no Barcelona, era o maior naquele país -- a Holanda perdeu, no entanto, a final do Mundial-74 e terminou em terceiro no Euro-76.

Guilherme Farinha era lateral direito. Diz dele próprio que o futebol dele "era muito de bater". Mas era também "um líder".

No final de 90, em dezembro, partiu para a Guiné-Bissau para coordenar todo o futebol juvenil do país. Ficou por lá quatro anos. "Encontrei milhares e milhares de miúdos muito novinhos, descalços, a quererem praticar futebol, com umas condições inatas para o futebol. Mas tive de montar, com a ajuda de assistentes escolhidos por mim a dedo, o centro nacional de formação de futebolistas, onde organizámos os primeiros campeonatos das escolas de futebol. Não havia condições, equipamentos, bolas, material, dinheiro..."

Seguiu-se o Paraguai, em 97, enquanto treinador. "Segui para Asunción, para a capital, para ser o treinador e coordenador do Cerro Corá. (...) O clube estava para descer, em último, já tinha terminado o torneio de abertura. O meu presidente pediu-me para voltarmos, em dois anos, à primeira divisão. 'Daqui a quatro anos o meu amigo pode ir embora', foi o que ele me disse." Em dois anos, com muitos jogos ganhos consecutivamente e caindo apenas na final do torneio, transformou-se num verdadeiro ídolo no Cerro Corá.

A aventura deste português seguiu depois para a Costa Rica, em 99, para o Alajualense, onde ganhou muita coisa e foi, por exemplo, bicampeão. O sucesso foi tão grande que Guilherme Farinha é mesmo considerado um dos melhores de sempre no país. Este homem, que também passou pela Guatemala, esteve ainda cinco anos no Irão.

"Trabalhar em quatro continentes, descobrir quatro culturas diferentes, maneiras de pensar diferentes, com relações diferentes, adaptar-me a todos estes países por onde passei e deixar a minha marca... Graças a Deus uma marca positiva, de trabalhador, de honestidade, seriedade, profissionalismo, onde deixei bem alto o nome do treinador português."

Farinha já treinou, portanto, em quatro continentes. Resumindo, foi campeão na Costa Rica e vice-campeão no Paraguai. Orientou a seleção da Guiné-Bissau num mundial de sub-17 e numa Taça das Nações Africanas.

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