Heróis do Mar!

Heróis do mar, nobre povo... quem diria que o Olimpo europeu seria tocado por duas vezes em escassos três anos, após anos de espera?

A Liga das Nações faz um ano, hoje, que teve o seu epílogo mais desejado e mais justo... a consequência mais desejada!

Gizada por um português, Tiago Craveiro, um dos homens, neste momento, mais em foco na UEFA, para obstar à proliferação dos enfadonhos jogos particulares, dividiu os países que compõem a UEFA em 4 divisões.

Na divisão principal, doze selecções, entre as quais Portugal, a selecção campeã europeia, fruto do pontapé para a eternidade de Éder, em Paris, que foi conjugada num grupo com a Itália e a Polónia.

Porém, antes da primeira jornada, um revés! O capitão Cristiano Ronaldo, que se mudara de Madrid para Turim, decidiu optar por apostar na sua integração transalpina, optando por permanecer na capital do Piemonte para afirmar-se definitivamente aos olhos dos tifosi.

Coincidência das coincidências, o primeiro jogo seria com a Squadra Azzurra, um escolho quase sempre inultrapassável pelas Quinas. Porém, mais uma vez, apareceria aquele indício que teríamos novamente encontro com a história. Portugal que não vencia a equipa italiana, em jogos oficiais, desde 1957, não deu hipótese ao primeiro esboço de reestruturação gizado pelo novo seleccionador Roberto Mancini. O golo de André Silva seria o símbolo da "morte de um borrego" que já tinha custado não apuramentos para mundiais e europeus.

Logo de seguida, viria a Polónia em Chorzow. Apesar do golo inicial do pistoleiro Piatek, por esses dias em absoluto estado de graça no Milan, sucederia a uma das melhores exibições a nível colectivo da "equipa de todos nós" sob o comando do Senhor Engenheiro. O dia que ficaria conhecido pela " Revolta dos Silva", atento os golos de André, Bernardo e da intervenção directa de Rafa a obrigar Glik a enganar Fabianski, colocava Portugal com pé e meio no final-four da competição.

Final-four esse, que por esses dias, ficou-se a saber que seria disputado no país que vencesse o grupo onde Portugal se encontrava. Mais um sinal que os astros se alinhavam em favor das Quinas e, simultaneamente, uma esperança que 2004 poderia ser atenuado, pela hipótese de vencer um troféu maior em casa.

Mas, para isso, era necessário, ainda, vencer o grupo, bastando para tal acontecer um ponto! Um ponto conquistado numa exibição sóbria em San Siro, tantas vezes local de pesadelo e de morte de ilusões lusitanas, bem como de bombásticas declarações, como as de Carlos Queiroz, que após ter visto morrer o sonho americano de 94, disse em pleno relvado que era necessário limpar a porcaria da Federação.

Com o apuramento carimbado e consequentemente com a certeza que as decisões iriam ocorrer no Porto e em Guimarães, Portugal fechou a fase de apuramento frente à Polónia na Cidade Onde Nasceu Portugal. O golo de André Silva, que foi basilar nesta fase, não chegou para bater os polacos, mas serviu para acabar a fase de apuramento sem derrotas!

Seguir-se-ia o final four... a segunda vez que o nosso país recebia uma grande competição! Antes do início das decisões, uma boa notícia. O capitão Cristiano Ronaldo iria ajudar a tentar fazer história. Regressaria para ser o que sempre foi...decisivo! Na meia final, no Dragão, frente à Suíça, seria simplesmente...Cristiano! Apontaria três golos de autor, dois deles já nos dois últimos minutos do jogo, para desatar um nó que Rodriguez houvera atado a meio da segunda metade...Portugal em três anos iria disputar a sua segunda final europeia!

No outro jogo, em Guimarães, houve bom futebol a rodos entre Inglaterra e Holanda. Apesar dos "Three Lions" terem-se adiantado no marcador, seria a Laranja a festejar! Depois de De Ligt empatar a contenda, no prolongamento

a festa seria holandesa... que, depois de algumas campanhas fracassadas, voltava ao galarim das grandes decisões.

Antes dessas, contudo, a Inglaterra haveria de garantir o terceiro posto na prova ao derrotar a Suíça no desempate por grandes penalidades.

Chegados à grande final, a oportunidade de fazer as pazes com a história, depois daquela cabeçada fatal de Charisteas. Um estádio do Dragão cheio, pleno de sonhos e de esperanças!

Portugal seria melhor...mais ambicioso... ainda que a sua estrela maior não estivesse ao nível da contenda com os helvéticos, outros nomes, que na fase de apuramento houveram sido essenciais, apareceriam! À cabeça, Bernardo Silva, autor de sumptuosa exibição que deixou os holandeses tontos, de cabeça à roda, com a quantidade de dribles e reviengas que sofreram! Mas, acima de tudo, Gonçalo Guedes! O jovem do Valencia marcou o seu encontro com a história com o pontapé que bateu Cilessen, fazendo o Porto viver um S.João antecipado! Portugal voltava a encontrar-se com a glória... os novos Heróis do Mar voltavam a fazer história!

Mas, alguém duvida, que com o desenrolar da prova, este não era o fim mais desejado para uma história feliz?

* André Rodrigues

Esta rubrica é uma parceria TSF e A Economia do Golo

O autor opta por escrever ao abrigo do anterior acordo ortográfico

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