Liga Europa e o desafio aos dois grandes de Lisboa

No dia em que volta a Liga Europa, os dois grandes de Lisboa parecem estar em momentos bem distintos de forma, mas também com atitudes diferentes face a esta prova, na qual defrontam adversários ao seu alcance. Os números redondos

É sabido que o regresso das competições europeias apanhou os clubes portugueses sobreviventes no meio de um calendário interno muito preenchido, até por força da sua participação nas rondas finais da Taça da Liga e da Taça de Portugal.

No caso de Benfica e Sporting, que entram esta quinta-feira em ação nos dezasseis avos de final da Liga Europa, a atitude perante os jogos em questão parece bem distinta: o Benfica, que está plenamente envolvido na luta pelo título nacional (tendo mesmo recuperado seis pontos relativamente ao primeiro da liga portuguesa, o Porto, em apenas cinco jornadas), partiu para a Turquia, onde vai defrontar o Galatasaray, sem alguns jogadores importantes como Pizzi, Grimaldo e Jonas.

Já o Sporting, tendo perfeita noção de que está praticamente arredado da disputa do cetro nacional (por força dos muitos pontos de desvantagem que tem para os três primeiros - nove para o Porto, oito para o Benfica e sete para o Sporting -, optou claramente por uma aposta mais forte na Liga Europa, desde logo na receção ao Villarreal. Aliás, a conquista das provas a eliminar parece ser um objetivo de Marcel Keiser, que até já venceu a Taça da Liga e continua ainda na Taça de Portugal.

A verdade é que apesar de abordagem diversas, Benfica e Sporting têm pela frente oponentes que se podem considerar ao alcance do poderio das duas equipas portuguesas.

Um Benfica muito forte perante o crescimento do Galatasaray

Começando pelo Benfica, que joga a partir das 17h55: os encarnados olham bem de cima para o Galatasaray em quase todos os indicadores importantes: os portugueses estão na posição 26 do ranking UEFA enquanto os turcos estão na 70; e no que diz respeito a valor de mercado dos respetivos plantéis a diferença é igualmente significativa: 277 milhões de euros do Benfica contra 90 do Galatasaray.

É um facto que o "Gala" melhorou bastante o seu desempenho no campeonato turco desde o sorteio, a meio de dezembro. Subiu do quinto para o segundo lugar e apesar de manter os seis pontos de desvantagem para o líder, o Basaksehir, deixou a restante concorrência para trás e assume-se como a única equipa capaz de lutar pelo título com o atual líder da prova.

Para que se compreendam as melhorias competitivas do Galatasaray: desde a pausa de inverno do futebol turco que o "Gala" não perde, tendo somado seis vitórias e um empate, com 18 golos marcados e somente três sofridos. Ora, antes da pausa, a equipa tinha um registo quase igual de vitórias (10), empates (9) e derrotas (8).

Para este crescimento recente do Galatasaray, treinado pelo experiente Fatih Terim, também contribuíram muito os ajustes feitos no plantel: saíram alguns jogadores (incluindo o ex-portista Maicon) e entraram o avançado senegalês Diagne (actual melhor marcador do campeonato turco, e que estava ao serviço do Kasimpara), os defesas-centrais Marcão (ex-Chaves) e Luyindoma (ex-Standard Liége). Chegou também o nosso bem conhecido Mitroglou (emprestado pelo Marselha), que não pode jogar contra o Benfica por já ter sido utilizado pela equipa francesa na prova.

Os encarnados terão que ter especial cuidado com Diagne, que na primeira parte da temporada marcou 20 golos em 19 jogos pelo Kasimpara e que fez o gosto ao pé logo na estreia pelo Galatasaray. Igualmente perigosos são o suíço Derdiyok (10 golos em 18 encontros) e o nigeriano Onyekuru (nove tentos em 26 partidas). Já na vertente da criação de jogo e oportunidades destacam-se o brasileiro Mariano e o marroquino Belhanda, com quatro assistências no liga turca cada um.

Claro que o Galatasaray terá no Benfica um oponente bem mais forte do que aqueles que tem defrontando recentemente no futebol interno. Basta dizer que, desde que Bruno Lage chegou ao comando dos encarnados, estes venceram oito dos nove encontros disputados (apenas perderam com o Porto na Taça da Liga), marcando qualquer coisa como 30 golos nestas nove partidas.

Sporting irregular recebe um Villarreal a lutar pela manutenção

Quando o Sporting conheceu o nome do seu adversário, em dezembro, o Villarreal era 17º da Liga Espanhola, então com sete derrotas sofridas. Desde aí, as coisas ainda pioraram e a equipa caiu mesmo para a zona de despromoção, sendo penúltimo classificado (19º), a quatro pontos da linha de água. Soma agora nove desaires no campeonato, a que junta 11 empates e somente três vitórias. Algo de quase inaceitável para um plantel que tem o 10º valor de mercado mais elevado da liga espanhola (183 milhões), quase 20 milhões mais do que o do Sporting.

Desde a curta paragem de Natal de La Liga, o Villarreal ainda não ganhou, somando três derrotas e cinco empates, com um saldo bem negativo de golos: nove marcados para 15 sofridos. O conjunto de Javier Calleja também já foi eliminado da Taça do Rei (pelo Espanhol) e tem na Liga Europa a única esperança de salvar um pouco a face, numa época que pode ser catastrófica (se descer de divisão).

A verdade é que o Villarreal até ganhou o seu grupo na primeira fase da competição, superando Rapid Viena, Glasgow Rangers e Spartak de Moscovo, sem qualquer derrota e impondo uma das facetas características desta sua temporada: a tendência para empatar, nomeadamente fora de casa - são já nove empates (incluindo todos os três jogos enquanto forasteiro na Liga Europa) num total de 16 encontros como visitante.

É um facto que o Sporting não parece viver um momento muito superior ao do emblema da Comunidade Valenciana. Nos últimos seis encontros, apenas venceu um (o último, em Santa Maria da Feira) e desde que se iniciou o novo ano o registo é modesto: três vitórias, quatro empates e três derrotas. Esta irregularidade tem custado pontos fundamentais na liga portuguesa e resulta em grande parte da fragilidade defensiva que os leões demonstram.

Nesse sentido, será fundamental que o Sporting saiba conciliar a reconhecida qualidade individual dos seus médios e avançados com uma maior consistência coletiva, até porque os dois avançados principais do Villarreal costumam dar trabalho às defesas contrárias: o camaronês Toko-Ekambi (11 golos na temporada, dos quais três na Liga Europa) e o colombiano Carlos Bacca (oito golos). Além disso, há ainda o regressado (após longo período de afastamento por lesão) Santi Cazorla, que é o jogador mais influente do Villarreal na liga espanhola, com três golos e quatro assistências.

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