Desporto

Caro Buffon, faltou-te um Casiraghi

Gianluigi Buffon começou e acabou como internacional italiano num play-off para Campeonato do Mundo. Em 1997 contra Alenichev, Yuran e companhia, os italianos apuraram-se graças a Vieri e Casiraghi.

Quarta-feira, 29 de outubro de 1997. A Itália disputava em Moscovo a primeira mão do play-off de apuramento para o Campeonato do Mundo que se jogaria no ano seguinte, em França. Cesare Maldini, histórico defesa do AC Milan e pai do senhor capitão, apostou numa equipa com futebolistas de grande qualidade de uma área à outra:

Gianluca Pagliuca, Paolo Maldini, Fabio Cannavaro, Alessandro Nesta, Alessandro Costacurta, Demetrio Albertini, Dino Baggio, Roberto Di Matteo, Gianluca Pessotto, Fabrizio Ravanelli e Christian Vieri.

Sentadinho no banco, tranquilo da vida, a ver aquela neve impiedosa a cair no estádio do Dinamo e a desfrutar, quem sabe, de ídolos de infância, estava Gianluigi Buffon. O rapaz do Parma estava atrás de guarda-redes como Pagliuca, Peruzzi e Toldo, mas naquele dia morava logo a seguir ao então guarda-redes do Inter.

Do lado russo, Boris Ignatiev meteu em campo nomes badalados na nossa praça como Sergei Ovchinnikov, Dmitri Alenichev e Sergei Yuran, sendo que ainda havia Andrei Kanchelskis e Viktor Onopko.

A Itália teve de pedalar no play-off porque também aí, como em 2017, ficou em segundo lugar, desta vez atrás da Inglaterra de Beckham, Gascoigne, Shearer e Paul Ince. Separou-os apenas um ponto. Os italianos até foram os únicos que não perderam, mas empataram três vezes: Polónia, Geórgia e Inglaterra.

The Italy's soccer team who play against Russia in Naples November 15. (L to R from top) Paolo Maldini Ciro Ferrara Pierluigi Casiraghi Fabrizio Ravanelli Dino Baggio Angelo Peruzzi Alessandro Costacurta Roberto Di Matteo Fabio Cannavaro Demetrio Albertini and Gianluca Pessotto.SPORT SOCCER - RP1DRIDJEHAAStefano Rellandini/Reuters

Voltemos a Moscovo. Pagliuca, corajoso, lançou-se aos pés de um avançado russo aos 31' e saiu lesionado daquela brincadeira. Cesare Maldini chamou então o garoto das luvas no banco, que com apenas 19 anos se ia estrear naquelas andanças. Buffon entrou e sofreu apenas um golo... de um companheiro: Cannavaro marcou na própria. Com fortuna, um golo de Vieri deixou tudo empatado e levou a vantagem naquele play-off para Itália.

No Estádio San Paolo, o tal jardim em que Maradona decidiu fazer feliz quem por ali passava para descansar os ossos, foi o palco do Itália-Rússia para fechar as contas para o França-98. Os italianos até estavam em vantagem, mas nestas coisas nunca se sabe com empates traiçoeiros. O que aconteceu nesse 15 de novembro de 1997 foi o que se esperava que acontecesse neste 13 de novembro de 2017: a Itália assumir e vencer.

Desta vez estava Peruzzi na baliza, o miúdo teria de esperar. A Rússia não soube como fazer-lhe golos. O momento de magia estava guardado para o minuto 53: Demetrio Albertini, que tornou especial o nº4 no Milan, meteu a bola com o pé esquerdo, o menos bom, por cima da defesa russa para Casiraghi. Tinha olhos. O então avançado da Lazio aguentou a pressão de um monte de músculos russo e mandou um bilhete com a canhota, 1-0. O Sao Paolo transformou-se num só grito demorado. Feliz.

A Itália de 97 fez o que a Itália de 2017 (vs. Suécia) não soube fazer: apurar-se para o Campeonato do Mundo na Rússia. Não acontecia desde 1958, quando o Mundial foi jogado na Suécia e conquistado pelo Brasil de Pelé. O Mundial de 1998 foi o primeiro de Gianluigi Buffon (ver aqui adeus e recordes): usou a camisola 22.

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