Chegou o dia "D" para quem vai a julgamento no processo de Alcochete

A decisão vai ser conhecida esta quinta-feira no Tribunal do Barreiro. O juiz de Instrução Carlos Delca vai divulgar se todos os 44 acusados no processo do ataque à Academia do Sporting, incluindo Bruno de Carvalho, vão a julgamento e se mantém os crimes que constam da acusação.

Os advogados de defesa já apresentaram os seus argumentos para tentar convencer o juiz a não pronunciar os seus clientes. A principal argumentação prende-se com a investigação da GNR, que segundo os advogados, impede a individualização dos crimes e que a investigação dos crimes de terrorismo é da exclusiva competência da Polícia Judiciária.

O objetivo passava por fazer uma reconstituição dos acontecimentos para conseguir imputar os crimes individualmente a cada um dos arguidos. Mas a procuradora Cândida Vilar decidiu manter todas as acusações que foram deduzidas contra todos os arguidos, mesmo a de terrorismo, defendendo que é inqualificável bater num atleta pelos resultados, alertando para os riscos de grupos de extrema-direita que se infiltram nas claques dos clubes.

Bruno de Carvalho entre os acusados

O ex-presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, é uma das três dezenas de acusados no processo relacionado com o ataque a Academia do Sporting, em Alcochete.

Bruno de Carvalho foi interrogado pelo juiz Carlos Delca nesta fase de instrução, num dos momentos mais aguardados. O ex-líder leonino disse que desconhecia quaisquer problemas entre adeptos e jogadores e que as publicações no Facebook que escreveu tinham como objetivo exigir responsabilidades aos atletas.

Mas Bruno de Carvalho acrescentou que nunca trocou informação com a claque do Sporting sobre o desempenho dos futebolistas.

Jogadores recusaram prémios de jogo

Bruno de Carvalho, durante o interrogatório da fase de instrução, adiantou que o plantel profissional recusou um prémio de meio milhão de euros que lhe foi oferecido antes do jogo com o Benfica e com o Marítimo, os últimos jogos do campeonato de 2017/2018.

Crimes em investigação para julgamento

A investigação sobre os acontecimentos do dia 15 de maio de 2018 na Academia de Alcochete terminou com a acusação de 41 pessoas, todos membros da Juve Leo, em coautoria de 40 crimes de ameaça agravada; 19 de ofensa à integridade física qualificada; 38 de sequestro mas classificados como terrorismo; dois de dano com violência; um de detenção de arma proibida e um de introdução em lugar vedado ao público. Há ainda acusações individuais de tráfico de estupefacientes.

Já Bruno de Carvalho, Nuno Mendes (Mustafá) e Bruno Jacinto (antigo oficial de ligação aos adeptos do Sporting) são considerados pelo Ministério Público os autores morais dos seguintes crimes: 40 de ameaça agravada; 19 de ofensa à integridade física qualificada; 38 de sequestro mas classificados como terrorismo; um de detenção de arma proibida agravado.

Até à data, 30 dos arguidos encontram-se em prisão preventiva com a grande maioria a requerer o recurso à pulseira eletrónica.

A data mais negra da história do Sporting Clube de Portugal

A meio da tarde do dia 15 de maio de 2018, aconteceu um episódio que ficará na história do futebol português pela negativa. Um grupo de alegados adeptos do Sporting, todos encapuzados, invadiram a Academia de Alcochete.

Uma invasão que ficou marcada com agressões a jogadores e treinadores do Sporting, dentro do próprio balneário do plantel leonino. Jorge Jesus também foi agredido e no final do dia começaram a surgir fotografias do avançado, Bas Dost com feridas na cabeça.

A dimensão do ataque começou a ganhar contornos dramáticos com os vídeos e fotografias divulgados ao longo do dia. As imagens começaram a correr mundo. Os jogadores estavam assustados e ao final da noite ainda tiveram que deslocar-se aos postos de GNR locais para prestar declarações.

"Foi chato ver os familiares dos jogadores ligarem preocupados"

Na altura como presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, reagiu com uma declaração à televisão do clube e falou num "ato criminoso". O ex-líder leonino elogiou a atuação rápida da polícia e que "foi chato ver os familiares dos jogadores ligarem preocupados, do staff, os meus próprios pais, a minha mulher, filhas. As pessoas ficam preocupadas. Felizmente as coisas correm dentro da normalidade", afirmou.

A invasão de adeptos à Academia de Alcochete, colocou o clube na pior crise de sempre e provocou mudanças na estrutura diretiva, saídas do treinador e de vários futebolistas.

No total foram nove jogadores que rescindiram contrato (alegando justa causa) após o ataque, três ainda regressaram, mas as ambições do Sporting para a nova época ficaram hipotecadas deixando o clube à beira do colapso financeiro e desportivo.

Rui Patrício, Daniel Podence, Gelson Martins, Bruno Fernandes, William Carvalho, Bas Dost, Rodrigo Battaglia, Rúben Ribeiro e Rafael Leão disseram "adeus" a Alvalade e Bruno de Carvalho não conseguiu seguir o caminho como líder do clube.

Impotente para travar as saídas, Bruno de Carvalho foi afastado da presidência, por uma assembleia geral que decorreu na Altice Arena, com a participação de milhares de sócios do clube.

Bruno de Carvalho expulso de sócio do Sporting

A saída da presidência, também abriu caminho para a expulsão do clube. Sócios votaram em assembleia geral extraordinária sobre o recurso do ex-presidente contra o fim de uma era como associado. No dia 6 de julho de 2019, BDC deixou de ser sócio verde e branco depois da votação na AG extraordinária.

69,30 por cento dos votantes mostraram-se a favor da expulsão de Bruno de Carvalho, enquanto 29,79 votaram a favor do recurso interposto pelo ex-líder verde e branco.

Sousa Cintra "chamado" para colocar o Sporting nos carris

A expulsão de Bruno de Carvalho começou a ganhar corpo durante a Comissão de Gestão, que tentou preparar a nova temporada. Dos nove elementos do plantel que rescindiram contrato, Sousa Cintra - presidente da SAD - conseguiu inverter as saídas de Bruno Fernandes, Bas Dost e Rodrigo Battaglia.

Já com a época a decorrer o clube conseguiu ainda um acordo com Rui Patrício - Wolverhampton - e William Carvalho - Bétis de Sevilha -. Com o guarda-redes os "leões" receberam 18 milhões de euros e pelo passe do médio, 16 milhões de euros. Mais tarde a SAD com liderança de Frederico Varandas, conseguiu chegar a acordo com o Atlético de Madrid, para resolver o processo de Gelson Martins.

A solução "médica" para o leão doente

Frederico Varandas venceu as eleições para a presidência já com a temporada 2018-2019 em curso. O antigo médico da equipa chegou à cadeira presidencial e não deu muita margem de manobra a José Peseiro, que tinha rendido o treinador Jorge Jesus.

José Peseiro foi escolhido por Sousa Cintra para recuperar o plantel leonino que estava desmotivado, mas alguns desaires no arranque da época, acabaram por ditar o despedimento. Frederico Varandas foi ao médio oriente "convencer"o holandês Marcel Kaizer.

O técnico conseguiu impressionar com resultados volumosos nos primeiros encontros. Mas depois não conseguiu manter a senda vitoriosa e perdeu o comboio do título.

A época foi salva com a conquista da Taça da Liga e da Taça de Portugal, em duas finais frente ao FC Porto, e as duas decididas nos penáltis.

Keizer ganhou oxigénio para continuar à frente da equipa para a nova temporada. Falta saber se vai continuar a contar com o capitão, Bruno Fernandes. BR8 foi o motor da equipa, mas uma venda do passe neste mercado de verão, também pode render muitos milhões de euros para os cofres leoninos.

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