Dez quilos de ouro e prata. Antes do campeão nacional, é a TSF quem levanta a taça

A poucas horas de ser cuidadosamente protegida numa caixa criada para ser transportada em segurança, a TSF visitou a empresa onde foi feita, em Gondomar. O proprietário, Domingues Guedes, serviu de guia na explicação do troféu que irá consagrar o próximo campeão nacional de futebol.

"Esta é a 'taça-mor' do país e do futebol nacional. O que aqui está representado é o futebol de Portugal. Não é um troféu qualquer", sublinha Domingos Guedes.

Fundada em maio de 1980 por Domingos Guedes, a Domingos Guedes, Lda., sediada em Gondomar (São Cosme), é a empresa responsável pela manufaturação de todas as taças da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e Liga de Clubes, entre outros objetos artesanais exportados para vários destinos mundiais, como a Suécia, Inglaterra, Dinamarca, Suíça, Espanha e Estados Unidos.

Pesa 10 quilos e tem 80 centímetros de altura, "a sua criação tem ligações à história de Portugal". "O corpo deste troféu representa a nação portuguesa, com as Quinas. Na base estão representados todos os clubes que participaram até hoje no Campeonato, todos os que chegaram ao principal Campeonato português. No segundo anel vemos estrelas, são os clubes que estão atualmente na Liga Nos. Mais acima, no colarinho, temos o colarinho do Campeão, e no sub colarinho temos os vencedores, os clubes que foram campeões, estão todos aqui gravados. Depois vemos uma bola... que representa o núcleo, é o que faz girar tudo, é o centro do planeta. Em redor temos os sete castelos, representam as conquistas de Portugal. Por fim vemos a forma de uns braços. São a glória. Quanto um atleta chega à meta levanta os braços, no fundo, todo o esforço, todos os meses de trabalho é para chegar ao fim e atingir a glória."

Quanto aos materiais utilizados na execução desta peça, "é tudo banhado a prata e a ouro, são os materiais nobres que estão aqui representados", explica Domingos Guedes.

Este troféu especial começou a ser criado em março. "Esta peça tem dois meses de trabalho, passando por diversas etapas e técnicas que foram aqui aplicadas. Para chegarmos aqui temos trabalho de fundição, gravura e soldadura. Tem que existir um misto de diversas áreas relativas à nossa profissão. Nós somos ourives, somos joalheiros. Fazemos isto com muito prazer, com muito gosto e carinho. É um orgulho a ourivesaria portuguesa estar aqui representada. Para nós, não é importante quem a conquiste, o importante é ver esta peça ser levantada num momento festivo. Damos o nosso melhor para que tudo esteja perfeito."

Domingos Guedes detalha em explicações um troféu pelo qual tem uma especial admiração. "Esta peça, de que gosto muito, foi desenhada pelo Nuno Martins, que é o atual designer da FPF, e colabora com a Liga de Clubes, que é alguém que tem feito troféus maravilhosos. Nós temos o prazer de os executar. Todos os troféus que são da responsabilidade da FPF são criados por ele e executados por nós. É um orgulho muito grande que a minha empresa colabore desta forma com o futebol nacional, em particular com estas duas entidades", regozija-se.

Em relação ao valor desta taça, Domingos Guedes, refere que, por hábito, não fala em valores. "Esta peça não tem preço. Para chegar aqui, e para o clube que a conquistar, estão em causa milhões que são gastos numa temporada. Os clubes investem muito, portanto, não tem preço... É algo que não pode ser quantificado monetariamente."

Trabalho concluído, é altura de formular um destino feliz a este troféu: "Ao ver esta peça sair da minha empresa, sinto um enorme orgulho e prazer, desejando que tudo corra bem, sem percalços, como por exemplo o que aconteceu com o Real Madrid e o troféu da Liga dos Campeões que caiu ao chão. Espero que com esta não aconteça nada disso", deseja Domingos Guedes.

A empresa é também responsável pela produção das taças Quinas de Ouro, entregues no centenário da FPF, e por todas as réplicas do Museu CR7, de Cristiano Ronaldo, na Madeira

Na arte sacra, a empresa é igualmente reconhecida e trabalha com várias paróquias. Entre as peças mais famosas está uma réplica de um cálice barroco do século XVIII, oferecido ao Papa Bento XVI.

O segredo do sucesso? "Fazemos o que as grandes empresas não fazem e nunca dizemos 'não' a um trabalho."

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