Um final de loucos. Reviravolta, pontapé de moinho e confusão à sul-americana no Dragão

FC Porto venceu o Sporting por 2-1, mas o título foi mesmo para Lisboa. Na despedida do Dragão ao campeonato, houve emoção até ao fim.

Houve Clássico e emoção até ao fim na última jornada do campeonato: o FC Porto recebeu e venceu o Sporting por 2-1. Os dragões tinham a esperança de revalidar o título de campeão nacional, mas a vitória do Benfica por 4-1 fez mesmo com que o título fosse para a Luz. Depois de um jogo em que os dragões se deixaram adormecer, valeu o moinho de Herrera.

Keizer surpreendeu e apostou em Petrovic no miolo sportinguista. O sérvio não era opção há alguns meses e, no regresso, foi 'lançado às feras'. Também André Pinto regressou depois de meses fora da Liga.

Foi com duas mentalidades bastante distintas que FC Porto e Sporting entraram em campo: os dragões, ainda com hipóteses de chegar ao título, procuravam o ataque desde o primeiro momento; já os leões, sem objetivos no campeonato, pouparam baterias para o jogo da próxima semana, também com os portistas, a contar para a final da Taça de Portugal.

Pela frente de ataque andava um Marega que fazia André Pinto passar um mau bocado, chegando mesmo o maliano a 'atropelar' o português depois de um atraso para Renan. Ainda assim, a tarde era de celebração para Marega: fez esta tarde o jogo 100 pelos dragões.

Se a vontade portista era muita, pouco ou nada se notava aos 10': apenas um remate - ainda por cima desenquadrado - não fazia antever grande perigo dos azuis e brancos.

Aos 17' assistiu-se ao primeiro momento VAR no Dragão: Corona sai disparado em direção à baliza de Renan, perseguido por Borja e Gudelj, que seguia metros atrás. O colombiano conseguiu mesmo chegar junto do mexicano e cortou a bola, mas Fábio Veríssimo teve dúvidas. Recorreu às imagens para se esclarecer e depressa se decidiu: vermelho para Borja.

A expulsão abriu, como seria de esperar, espaço nas costas da defesa sportinguista, para onde Acuña desceu na tentativa de cobrir o corredor esquerdo. Ainda assim, foi do lado direito que surgiu o cruzamento mais perigoso dos dragões, com uma bola que atravessou toda a grande área e acabou por sair sem que ninguém lhe tocasse. Respirava de alívio a equipa de Keizer, ainda a tentar reposicionar-se.

Se fosse preciso provar que a defesa do Sporting precisava, urgentemente, de acertar marcações, Marega fez questão de o provar. O maliano foi lançado em velocidade e, à saída, de Renan, atirou a contar. Depois, foi a vez da defesa do Sporting lhe provar algo a ele: Marega foi imediatamente apanhado em fora de jogo, pelo que não valeu.

A primeira parte no Dragão não acabou sem alguma confusão. Militão não viu Bruno Fernandes nas suas costas e, no ataque à bola, acabou ​​​​​​por acertar no capitão sportinguista. Recuperado, o médio com mais golos dos campeonatos europeus ainda foi marcar o livre que daí resultou, mas a primeira parte acabaria mesmo com um empate a zero.

Os 11 remates portistas contrastavam com um único feito pelo Sporting. Em termos de posse, o 60% - 40% pendia para a equipa de Sérgio Conceição. Este é o quarto jogo consecutivo em que FC Porto e Sporting registam um nulo ao intervalo.

No regresso ao relvado houve algo aparente: o Sporting tinha adaptado a disposição em campo, abdicando das alas e concentrando-se no corredor central. Os primeiros dez minutos mostraram que a aposta foi certeira, beneficiando da maior mobilidade de Luiz Phellype. Já o FC Porto tinha feito outro tipo de aposta: Manafá e Brahimi foram lançados para o lugar de Otávio e Pepe.

Nas bancadas, protestava-se:

Se o caudal ofensivo do Sporting estava a ser mínimo, a eficácia foi máxima. Num contra-ataque feito em pouquíssimos toques, Acuña subiu pela esquerda e, com um passe cruzado, rasgou a defesa portista, encontrando Luiz Phellype. Frente a Vaná, o brasileiro não vacilou e silenciou o Dragão. Aos 61', com o Benfica já a vencer por 4-1, a tarde portistas piorava um pouco mais e a Luz festejava... o golo sportinguista.

Este foi o 8.º golo do avançado nos últimos nove jogos pelos leões e o 17.º golo de toda a época. O Dragão gelava e ia aceitando, minuto a minuto, o que parecia ser uma derrota no último jogo do campeonato, que acabava por ser o ensaio geral para a final da Taça de Portugal. Mas Danilo quis mudar o cenário e, de cabeça, fez o empate, reacendendo a chama portista.

Na sequência de um pontapé de canto, a bola sobra para o médio defensivo que, na cara de Renan, consegue mesmo colocar a bola no interior da baliza. Isto, um minuto depois de o guardião lhe ter negado um golo com um golpe de rins invejável.

Os melhores momentos do jogo aconteceram todos em cerca de 30 segundos: aos 84', primeiro foi Marega a deixar que Renan lhe saísse aos pés para negar o segundo do FC Porto. Magoado, o guarda-redes levantou-se e viu um colega da defesa sportinguista negar uma segunda tentativa, que acabou por ir para ao corredor direito do ataque. No cruzamento que se seguiu, foi Mathieu quem, em cima da linha, negou o golo. Mas de nada valeu.

Novo canto para o FC Porto, novo desvio para o segundo poste e o golo da noite para Herrera. O mexicano saltou e, com um pontapé de moinho, fez o segundo golo da partida. Foi abraçar Sérgio Conceição, agradeceu às bancadas e deixou-lhes uma certeza: se se vai embora, deixou um golo memorável para a despedida no Dragão.

O golo teve o condão de mexer na partida... em demasia. Seguiu-se uma batalha campal no Dragão, com expulsão de Corona, agressões e tudo surgiu de um lance entre sul-americanos: Acuña e Corona. Até ao final, pouca história: vitória por 2-1 para o FC Porto no ensaio geral para a final da Taça de Portugal.

Luiz Phellype marcou aos 61'.

Danilo empatou a partida aos 78'.

Herrera fez um grande golo aos 87'.

Onze do FC Porto: Vaná, Militão, Felipe, Pepe, Alex Telles; Danilo, Herrera, Otávio; Corona, Marega e Soares

Onze do Sporting: Renan, Bruno Gaspar, André Pinto, Mathieu, Borja; Petrovic, Gudelj, Bruno Fernandes, Diaby, Acuña e Luiz Phellype

Enquanto os jogos não começam, recorde a história dos títulos disputados entre dragões e águias. O jogo é arbitrado por Fábio Veríssimo, com Luís Ferreira no VAR.

Suplentes do FC Porto: Diogo Costa; Maxi, Manafá, Óliver, Brahimi, Fernando Andrade e Aboubakar.

Suplentes do Sporting: Salin; Ilori, Jefferson, Wendel, Raphinha, Jovane e Bas Dost.

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