"Futebol é futebol, não vai de géneros." Miguel Santos, o treinador das campeãs

O treinador que levou o Sporting de Braga a vencer o campeonato nacional de futebol de futebol feminino é o entrevistado do Entrelinhas.

Miguel Santos é treinador da equipa feminina do Sporting de Braga que se tornou campeã nacional, um título que as minhotas conquistaram pela primeira vez.

Aos 35 anos, o técnico já liderou equipas em clubes como o Penafiel, Gil Vicente, Oliveira do Douro, Futebol Clube de Amares e Vila Verdense, o último já no futebol feminino.

Tendo treinado homens e mulheres, há uma pergunta que se impõe: há muitas diferenças? "Futebol é futebol, não vai de géneros, vai de ideias de jogo", atira o técnico bracarense. Porém, deixa claro que há alguns pormenores que têm de ser tidos em conta.

Um deles é no balneário. "Não gosto de entrar no balneário se as jogadoras estiverem em soutien desportivo, por exemplo. Gosto que estejam equipadas. Fico à espera e elas dizem que posso entrar", conta o técnico.

A questão do peso também é "sensível", admite, explicando que nunca diz que "estão gordas" e utiliza relatórios médicos para chamar a atenção das atletas, refere entre risos.

O melhor e o pior da época

Quando olha para a época, Miguel Santos acredita que o título de campeão nacional se começou a construir quando foram "ultrapassadas barreiras mentais na equipa", já que "havia algum negativismo mental", principalmente nos confrontos com o Sporting.

E nas memórias menos boas está um jogo com o Benfica que afastou o Sporting de Braga da final da Taça de Portugal. "Os primeiros 10 na segunda-mão da meia-final são um desastre, são o ponto negativo da época, porque nos restantes 80 ganhámos 2-1", recorda, mas frisou que "toda a gente tem direito a dez minutos meios felizes numa época".

O próximo passo... na Europa

A Liga dos Campeões é o próximo passo. O Braga está nas pré-eliminatórias e Miguel Santos assegura que a equipa "vai apresentar-se bem nesta pré-eliminatória da Liga dos Campeões e vai para ganhar".

Nos últimos dois anos o Sporting não conseguiu passar à fase seguinte na Liga dos Campeões e as minhotas querem contrariar essa ideia.

"Boa jogadora consegue ter vida tranquila"

Com o futebol feminino em crescimento em Portugal, Miguel Santos admitiu que "é caro" investir numa equipa desta categoria, mas garantiu que já é possível viver desta profissão em território nacional.

"O Sporting e o Benfica fazem investimentos superiores aos do Braga, em larga margem. O Braga não tem a carteira do Sporting nem do Benfica", afirmou. Miguel Santos explica que os minhotos contrataram 17 jogadoras, mas "não abriu" a carteira, "foi uma ginástica financeira muito grande entre o treinador, a diretora e o presidente".

E as jogadoras conseguem viver apenas do futebol? "Uma boa jogadora em Portugal consegue ter uma vida tranquila, amealhar algum dinheiro e viver só do futebol. Quando acaba a carreira não tem a almofada financeira que tem um homem", explica, não adiantando valores.

Porém, o treinador revela que este sonho, por enquanto, apenas é possível em equipas como Braga, Benfica e Sporting.

O futuro do futebol feminino em Portugal

"Estamos um bocado atrasados", confessa o treinador, apontando a necessidade de fazer mais e melhor e garantindo que "há um caminho a percorrer".

No futuro, Miguel Santos sonha com uma liga profissional que traga pessoas e investimento para o futebol feminino.

"Quem me dera que o FC Porto, o Vitória, o Rio Ave viessem... Se daqui a uns anos tivermos uma primeira liga feminina com 12/14 equipas todas profissionais temos espetáculos todos os fins de semana", acredita o treinador.

O técnico acredita que o crescimento da modalidade no feminino traria "mais gente nas bancadas, mais investidores, mais marketing" e "as seleções nacionais vão usufruir disto e o futebol feminino começa a chegar ao nível do futebol masculino".

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de