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Montero resolve: Plzen fica sem a Viktoria

Sporting venceu o Viktoria Plzen por 2-0 em Alvalade e fica numa boa posição para chegar aos quartos de final da Liga Europa. Fredy Montero marcou dois e Bruno Fernandes voltou a destacar-se.

"Acho que fiquei [na história do clube]", dizia Fredy Montero ao Mais Futebol na hora da despedida para a China, no início de 2016. "O Sporting não ganhava títulos há muitos anos e eu ajudei a que voltasse a ganhá-los. Nestes dois anos e meio consegui ajudar a ganhar a Taça de Portugal e a Supertaça. Na Taça marquei um golo importante e acho que vão sempre recordar-me por isso", sentenciava. Mas as histórias dão muitas cambalhotas e o colombiano é outra vez senhor do seu destino em Alvalade: marcou dois golos esta noite contra o Viktoria Plzen (2-0) e deu um valente empurrão para o Sporting chegar aos quartos de final da Liga Europa.

Jesus já sabia que tinha problemas no ataque, sem Bas Dost, Doumbia e Rafael Leão, o tal menino que anda a dar que falar, por isso chamou para a zona 9 um velho conhecido de Alvalade, que até se estreara ali em agosto de 2013 com um hat-trick (vs. Arouca): Fredy Montero. O colombiano -- que baixou, tocou, abriu espaço e marcou -- foi chamado e confirmou que está ali para rugir como os outros.

O primeiro lance de muito perigo pertenceu a Gelson, depois de Montero e Acuña inventarem espaço pela esquerda. O extremo português até se conseguiu antecipar ao defesa, ao segundo poste, mas não colocou o pé calibrado, por isso a bola saiu ao lado, a sentir o cheiro da linha de golo. Ia-se vendo as duas equipas a pressionar na frente, na hora do pontapé de baliza, mas os espaços começariam a dar de si. Apesar de haver pouca qualidade na hora de finalizar, tantos uns como outros conseguiam chegar perto da área rival.

A meio deste primeiro tempo Acuña, o extremo que até parece anunciar mais condições como lateral, chutou, em jeito, de longe. A bola gostou do toque, investiu na viagem, girou, girou, girou, até beijar a trave da baliza de Hruska. Que grande bola. O Viktoria dava cada vez mais espaço e o Sporting, demasiado viciado nos cruzamentos, não sabia ligar e entrar em tabelas ou triangulações entre os jogadores. Despachou demasiadas bolas, pelo menos até se lembrar que era Fredy quem estava na área e não Bas Dost. Ainda assim, não há ligação direta, qual dupla de McGyvers, mais sedutora do que aquela entre Mathieu e Bruno Fernandes. O médio pisca o olho ao espaço, perfilando-se, preparado para receber. O central, canhoto e com os ensinamentos do Barcelona fresquinhos, está sempre a ver que passe vertical pode inventar. E assim desmontam as teias alheias.

Antes do intervalo, uma jogada inventada por Bryan e Coentrão permitiu a Montero encostar para o primeiro da noite, 1-0. Esta gente que chegava da República Checa ia deixando cada vez mais espaços, talvez castigados pela ausência de competição pela pausa de inverno. Era notória a dificuldade na hora de voltar para trás ou encolher a equipa. Isso e o nível abaixo em termos técnicos.

Montero, qual anfitrião genial da lógica ao contrário, começou pelo digestivo, já depois da hora na primeira parte, para depois oferecer as entradas no segundo tempo. Bruno Fernandes descobriu Montero na área, esperou a devolução, mas o colombiano estava com a setinha para cima, com moral, a precisar da adrenalina do golo, para convencer o treinador também. Montero puxou para o lado esquerdo, enganou um defesa, e chutou com pinta, 2-0.

Bruno Fernandes continuaria a sua missão à procura do golo. Voltaria a chutar mais uma vez ou outra, até inventou uma jogada em que deixou um defesa para trás, com um belo toque, correu meio campo sozinho e chutou uma bomba, mas o guarda-redes dos checos fechou bem a baliza. Bruno tem pedalada, conduz a bola com a cabeça levantada e dá sempre opção, ora no pé, ora no espaço. É decisivo.

Os 26.090 adeptos presentes em Alvalade testemunhariam ainda dois amarelos para Coates e William Carvalho, que assim falharão o jogo da segunda mão na República Checa. Jesus abria os braços, já a magicar problemas futuros.

Battaglia e Bruno César entrariam sensivelmente a meio da segunda parte, numa altura em que os checos começavam a chegar com mais e mais perigo à área de Rui Patrício. Os cruzamentos desta equipa que trouxe pouca qualidade a Alvalade levavam mais veneno, o Sporting estava a dar mais espaço.

Rúben Ribeiro entrou para os últimos dez minutos, para o lugar de Fábio Coentrão. Este lateral esquerdo, ainda nos quadros do Real Madrid, ouviu uma senhora ovação, confirmando a identificação daquela gente com o jogador que mostra sempre um compromisso e inconformismo assinaláveis.

A chuva veio molhar a relva, mas não trouxe mais golos. Rúben Ribeiro, já depois da hora, isolou Mathieu num contra-ataque supersónico. O senhor 34 anos, aos 92', desatou a correr com fúria, ganhou a todos e finalizou. Mas a bola travaria nos pés de Hruska. Ponto final em Alvalade. Bela exibição de Bruno Fernandes, pois claro, e mais uma mão cheia de pormenores deliciosos e saídas de pressão de William.