Jogos Olímpicos de Inverno

Nagano 1998: "Estive lá duas semanas, fiquei fascinada"

Mafalda Queiroz Pereira esteve em Nagano, no Japão, em 1998, para os Jogos Olímpicos de Inverno. A portuguesa ficou em 21.º lugar em esqui acrobático e lembra em conversa com a TSF o que viveu há 20 anos.

Começou a fazer esqui acrobático aos 16 anos, em Evian, e cinco anos depois chegou aos Jogos Olímpicos de Inverno no Japão, o que nem era suposto acontecer, nem sequer ambicionava. Mafalda Queiroz Pereira esteve em Nagano, em 1998, onde terminou em 21.º lugar. Em dia de arranque dos Jogos Olímpicos de Inverno, na Coreia do Sul, a TSF entrevistou a ex-atleta que por estas alturas revive com gosto o que viveu há 20 anos.

Comecemos por aqui: a participação nos Jogos Olímpicos de Inverno deu para desfrutar ou foi mais angustia pela competição?
Um bocadinho dos dois (risos). Os Jogos Olímpicos são a competição mais importante no desporto que eu fazia, o esqui acrobático. Causa sempre nervosismo adicional relativamente às outras competições, mas acho que também desfrutei bastante de ter estado e competido lá no Japão.

Como era a vida em Nagano?
Estive lá duas semanas. Tínhamos treinos todos os dias, de saltos e preparação física. Como no esqui acrobático tínhamos competição sempre em sítios diferentes, andávamos muito em grupo, estávamos habituados a estar sempre com aquelas pessoas com quem estávamos a competir diariamente. Treinámos juntos e fazíamos tudo juntos.

Achei a Aldeia Olímpica o máximo. Só gente jovem, atletas, tudo muito contente, com uma energia super boa e positiva. Fiquei fascinada com tudo o que havia, restaurantes, salas de jogos, ginásios, piscinas, tudo. Foi uma parte gira de conhecer e que não imaginava, de todo, na altura...

Ia pegar precisamente na Aldeia Olímpica. Era tão agitada como a dos Jogos Olímpicos no verão?
Era, era. Eu acho que as pessoas tinham todas bom astral, sentia-se uma boa energia. Não se sentia uma energia de competitividade. As pessoas estão ali para gozar, estão a curtir aquele momento, todos juntos, todos atletas, pela vitória de ter lá chegado. Sentiu-se bastante isso.

Já foi há 20 anos. Como eram as condições?
Foram ótimas. Não faltou absolutamente nada, não tenho nada a dizer. Tirando a viagem, que foi muito longa até lá... Custou-me bastante. Eu estava, na altura, nos Estados Unidos e vim a Portugal e depois fui para o Japão. Dei a volta ao mundo em dois dias. Tirando essa parte, que foi muito desagradável, lá correu lindamente. Acho que a maior parte fez dos Estados Unidos para o Hawai, ficaram lá cinco dias e viajaram para o Japão.

A Mafalda estava nos Estados Unidos. O que fazia por lá e que idade tinha?
Eu tinha 21 anos. Eu fazia a Copa do Mundo, por isso todas as semanas tínhamos competição em sítios diferentes. Antes dos JO estávamos a competir nos EUA.

Como decorreu a qualificação para esses JO?
Não estava a contar ir aos Jogos Olímpicos de Nagano. Eu tinha como objetivo ir aos JO de Salt Lake City [2002], porque aquele foi o meu primeiro ano de Copa do Mundo, na qual tive excelentes qualificações e fiquei apurada para os Jogos Olímpicos. Foi tudo uma surpresa, foi muito rápido. Não estava à espera, não o ambicionava. Aconteceu. Foi muito gratificante.

Lembra-se onde estava e como recebeu a notícia?
Estava no Canadá, fiquei em quinto lugar na Copa do Mundo e consegui obter os pontos que me faltavam para ir aos Jogos Olímpicos. Lembro-me que foi uma felicidade enorme. Eu tinha uma boa componente acrobática e uma má componente de esqui. No fundo, o que aconteceu foi isto: das vezes que conseguia aterrar os meus saltos ficava sempre classificada nos dez primeiros lugares. Foi o que me permitiu ir aos JO. Foram duas classificações, uma em 6.º e outra em 8.º, antes de fevereiro. Estava tudo em teste, era o meu primeiro ano de Copa do Mundo e não sabia como ia correr. Só tinha feito Copas da Europa e de França. Foi uma grande vitória.

Como descreve a modalidade para quem não conhece?
É um desporto essencialmente acrobático, embora seja um desporto de inverno e com esquis nos pés. Normalmente as pessoas que o praticam vêm do meio acrobático. É um desporto espetacular!

Quando é que começou a praticar?
Comecei a praticar esqui acrobático com 16 anos, em Evian, num centro de desportos acrobáticos.

Os Jogos começam esta sexta-feira. Ainda tem interesse e segue?
Sim, vejo o resumo da cerimónia na televisão e vejo sempre a final dos saltos. Isso não perco por nada, adoro. Hoje estou meia desligada do desporto, muitas vezes nem me lembro, mas quando há Jogos Olímpicos é sempre aquela data e altura em que revivo um bocadinho tudo o que passei no passado. É giro.

É uma espécie de super-heroína para a família ou não ligam muito a desporto?
Na minha família desporto é religião. Eu acho que sim, cá em casa toda a gente se orgulha muito de tudo o que consegui em termos desportivos.

Ainda vai esquiar?...
Vou! Vou terça-feira para a neve (risos). Mas só em lazer...