Académico de Viseu

"No meu tempo não havia tanta vaidade, tanta guerra por protagonismo"

O treinador algarvio, há uma semana no Académico de Viseu e que se estreou com goleada ao Benfica B (5-1), encara este regresso com "alegria" e como se "estivesse agora a começar" a carreira.

Manuel Cajuda está de volta ao futebol português, após cinco épocas no estrangeiro. O técnico que passou por vários clubes na China, Emirados Árabes Unidos e Tailândia, mudou-se agora para o Académico de Viseu e quer levar o clube da cidade jardim até à Primeira Liga.

O treinador algarvio encara este regresso com "alegria" e como se "estivesse agora a começar" a carreira. "Embora tivesse dito antes que não pensava treinar em Portugal, isso não invalida a alegria que tenho agora. É fantástico. Para mim agora não há nenhuma dificuldade aqui, mesmo que ela apareça para mim não é", afirma.

Questionado pela TSF, Cajuda confessa que desejava, passados cinco anos fora, encontrar o futebol português diferente. "No meu tempo não havia tanta vaidade, tanta guerra por protagonismo. Os agentes desportivos eram mais respeitados. Hoje nós, os fabricantes de futebol, somos os menos respeitados. Hoje nós os treinadores limitamo-nos a falar aquilo que querem que nós falemos. Se calhar até alguns têm a cartilha", critica.

Aos 66 anos, o treinador não esconde o que lhe vai na alma e lamenta a ingratidão que diz sentir no mundo futebolístico nacional. "Quando me dizem que querem ideias novas no futebol eu pergunto porque é que um velho não pode ter ideias novas? É proibido? Está na constituição portuguesa? Não está. Por que é que não posso ter ideias novas? Às vezes as pessoas perguntam-me assim: ainda treina? E eu [respondo] não. Eu faço que treino", remata.

Manuel Cajuda está há uma semana (estreou-se com goleada por 5-1 no campo do Benfica B) no comando técnico do Académico de Viseu, clube que milita na Segunda Liga. Depois de o ano passado ter rejeitado o convite que lhe foi feito por razões financeiras, desta vez decidiu aceitar a proposta. Tem como grande tarefa a subida ao escalão principal do futebol nacional já esta época, como já fez com outros três emblemas. "Toda a gente sabe que não é fácil [a promoção]. Eu próprio sei que não é, mas é uma cobardia não tentar e eu vou tentar. Se conseguir ótimo se não conseguir peço desculpa às pessoas e quero conseguir para o ano", diz.

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