Análise

Porque partem FC Porto e Benfica tão à frente?

A estatística não deixa dúvidas: no campeonato que amanhã começa pode haver três (ou quatro) candidatos ao título, mas verdadeiros favoritos só há dois.

A Liga Portuguesa inicia-se nesta sexta-feira, com a receção do Benfica ao Vitória de Guimarães. A equipa da Luz, juntamente com o campeão em título, o Porto, são os claros favoritos à vitória na competição.

Esta é a principal ilação que podemos retirar da análise integrada de um conjunto de dados estatísticos que consideramos fundamentais na definição dos principais favoritos a conquistar o título nacional.

Os dados em questão são: o orçamento de cada equipa, o valor de mercado e a estabilidade do respetivo plantel, os campeonatos conquistados nas décadas mais recentes. Ou seja, de acordo com o que é defendido pelos principais autores sobre estatística do futebol, os fatores que habitualmente têm mais peso na definição dos campeões em prova de regularidade estão relacionados com a qualidade dos jogadores (refletida nos seus ordenados e valores de mercado), com a estabilidade das equipas e ainda com a história recente.

Mesmo sabendo que, pelo menos até 31 de agosto, ainda poderá haver grandes novidades em termos de entradas e saídas de jogadores, os números analisados são os que existem no momento em que se inicia o campeonato e indicam tendências bem marcadas.

Orçamentos

Ainda que apenas tenhamos valores estimados neste particular, não existirão grandes dúvidas que Porto (cerca de 90 milhões) e Benfica (à volta de 80 milhões) lideram em termos de orçamentos das respetivas equipas de futebol. O Sporting não andará longe destes valores (entre os 60 e os 70 milhões), mas o fosso para todos os outros concorrentes é gigantesco. Algo que dificilmente permitirá, por exemplo, ao Braga ser um real candidato ao título, como muitos observadores pretendem. Isto porque os bracarenses terão um orçamento ligeiramente inferior a 20 milhões de euros para a presente temporada, enquanto o rival Vitória de Guimarães será o único dos restantes clubes da liga portuguesa a atingir os dois dígitos (cerca de 10 milhões de euros).

Valores de mercado

Esta tendência de enorme desigualdade acentua-se se tivermos em conta os valores de mercado dos planteis do escalão principal. Segundo o site transfermarkt.com (dados pesquisados no dia anterior ao arranque da prova), Porto (235 milhões de euros) e Benfica (231 milhões), cavaram um fosso significativo para o terceiro grande, o Sporting (150 milhões), em grande parte devido a toda a turbulência que afetou Alvalade no final da temporada passada, levando à partida de alguns dos jogadores mais valorizados (Rui Patrício, William ou Gelson).

Mais uma vez, Braga (75 milhões) e Vitória de Guimarães (20 milhões) são quarto e quinto posicionados neste ranking, com números que muito dificilmente permitirão intromissões na luta pelo título.

Estabilidade de plantel

Este é cada vez mais um fator de competitividade absolutamente crucial. Basta ver que em termos europeus, Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Atlético de Madrid ou Juventus (os cinco primeiros do ranking da UEFA) estão no top 10 dos clubes com os planteis mais estáveis no conjunto das 30 ligas mais importantes do Velho Continente, todos eles acima das cinco temporadas de permanência média dos seus jogadores.

Em Portugal, há vários anos que o Benfica possui o plantel mais estável, sendo que neste momento os seus jogadores possuem uma permanência média no clube de quase quatro épocas. A principal novidade da presente temporada é que na segunda posição deste ranking surge o Porto, cujos jogadores estão agora perto de uma média de quase três épocas de permanência, depois de muito tempo em que este valor foi bem mais reduzido. Os azuis e brancos ultrapassaram o Rio Ave e o Sporting, que perderam alguns dos seus elementos com mais tempo de casa.

Títulos mais ou menos recentes

Parece um lugar-comum, mas as vitórias geram mesmo mais vitórias. E no caso do futebol português, esta verdade é incontestável. Em mais de 80 anos de história, existem apenas duas exceções à hegemonia dos grandes: Belenenses - 1946 e Boavista - 2001.

Mas é igualmente um facto que neste momento começa a ser pouco rigoroso falar de uma hegemonia dos grandes, uma vez que o Sporting não é campeão há 16 anos, tendo conquistado apenas dois campeonatos nos últimos 35 anos. Neste período, o Porto foi dominador, com 21 títulos, contra 12 do Benfica.

Se tivermos em consideração a última década, o liderança a dois é clara, com cinco títulos para cada um, confirmando a ideia de que é mesmo muito provável que no final do próximo mês de maio a festa tenha mais uma vez tons de azul ou vermelho.

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