Óbito

Quando Hawking magicou a fórmula para a Inglaterra vencer o Mundial

Em 2014 Stephen Hawking foi desafiado a desenhar uma fórmula que aproximasse a Inglaterra do título que escapa desde 66. Camisola vermelha, jogos às 15h e árbitros europeus. Penáltis? Esqueçam...

Stephen William Hawking nasceu em Oxford, em Inglaterra, no dia 9 de janeiro de 1942. Ó, logo, logo no mesmo dia de aniversário de Claudio Caniggia (1967). Juntar Hawking e futebol vai ser peanuts depois disto. Uma das mentes mais brilhantes dos nossos tempos desligou-se esta madrugada, aos 76 anos.

Hawking era uma estrela, uma espécie de Beckham da ciência, que descodificava e tornava aquela matéria sedutora. Entrou em séries de TV, seja de forma animada nos "Simpsons", seja em "Big Bang Theory". O homem escreveu "Uma Breve História do Tempo", que vendeu mais de 25 milhões de exemplares, e ainda viu a sua história retratada no filme "A Teoria de Tudo". Para conhecer o percurso deste génio veja este artigo da TSF.

Bola para a frente. Este senhor, que tratou a relatividade e os buracos negros, qual Einstein dos tempos modernos, uma vez decidiu meter-se com o desporto e as estatísticas e números pouco contam para o Olimpo futeboleiro. Mas não deixa de ser interessante conhecer a conclusão de Hakwing para a sua Inglaterra cheirar o título mundial na Copa 2014, no Brasil.

Dizia ele, aqui contado pelo The Telegraph, que ajudaria a equipa de Roy Hodgson dar o pontapé de saída às três da tarde (hipóteses de vitória aumentam 1/3) e vestir a camisola vermelha (1/5), que, tal como alguns estudos concluíram (ou ver este artigo que relaciona vitórias com equipamento), transmitiria confiança e energia aos colegas, enquanto se mostraria agressiva para os rivais. Todas estas conclusões, as acima e as que aí vêm, surgem na sequência do estudo de Hawking sobre os desempenhos da seleção dos três leões desde 1966, o ano em que os ingleses venceram o Campeonato do Mundo pela primeira e única vez. Ah, e da elaboração de uma fórmula, impercetível para o comum dos mortais...

O cientista concluiu ainda que os britânicos precisariam de uma temperatura amena. Ou seja, dizia ele, o aumento de temperatura de 5º podia reduzir em 59% as possibilidades de vitória. A tática mais adequada passava pelo 4-3-3, algo que nem teve a decência romântica de explicar. Se calhar Hawking era um adepto do futebol do Ajax dos anos 70, que graças a Johan Cruyff transformava a ambição dos adversários em autênticos buracos negros.

Outra conclusão, imaginamos que com um tom de sarcasmo, desmentia alguns jornais: "Ao contrário da opinião dos tabloids, a presença das mulheres e namoradas dos jogadores é irrelevante". Em sentido contrário está a velocidade, que Hawking dizia ser muito necessária. Tal como a colocação da bola, certo? "A velocidade não é nada sem colocação. Se eu tivesse sussurrado isso na orelha do Chris Waddle antes daquela bola ser enviada para orbita em 1990...". A Inglaterra chegou às meias-finais do Itália 90, parando a viagem nos penális vs. Alemanha. Waddle e Stuart Pearce falharam, os alemães nem um. Sobre essa pouca aptidão para aquela modalidade de chutar dos 11 metros, Hawking disse isto: "As we say in science, England 'couldn't hit a cow's arse with a banjo'".

Este génio da relatividade não deixou a arbitragem fora na equação. Segundo Hawking, os ingleses deviam desejar árbitros europeus, com os quais a Inglaterra havia ganho 63% dos jogos em Mundiais. "Os árbitros europeus são mais simpáticos com o estilo de jogo inglês e menos com as bailarinas como [Luis] Suárez."

No final desta inciativa, promovida por uma casa de apostas, o cientista doou o dinheiro para a Motor Neurone Disease Association e Save The Children's com ação na Síria.

Golo.

E a Inglaterra, que foi mais por Hodgson do que por Hawking, terminou em último no Grupo D, com Costa Rica, Uruguai e Itália.