Quando o avião de Niki Lauda caiu e matou mais de 200 pessoas

O nome de Niki Lauda não precisava de viajar mais longe. A projeção de uma carreira de sucesso, mas também o facto de ter sobrevivido a um acidente brutal, deu-lhe o estrelato. Mas o austríaco queria mais e conseguiu que aviões com o seu nome rasgassem os céus.

A aviação foi a segunda paixão de Niki Lauda. O tricampeão de Fórmula 1 fundou uma primeira companhia aérea, quando ainda corria nas pistas, à qual se dedicou totalmente depois de se retirar. Em setembro de 1979, nascia a Lauda Air, uma empresa que apostava sobretudo na qualidade do serviço. Lauda não se limitava a ser o dono da companhia, ele próprio pilotava alguns dos aviões.

Só que, tal como o piloto austríaco, a companhia sediada em Viena também não teve vida fácil.

A 26 de maio de 1991, um acidente com um Boeing 767-300 ER, durante uma viagem entre Banguecoque e Viena, provocou a morte a 223 pessoas, incluindo toda a tripulação. Continua a ser o acidente de aviação mais mortífero envolvendo um Boeing 767 na Tailândia. Perante a falta de respostas para a causa do acidente, Niki Lauda envolveu-se pessoalmente numa investigação longa, difícil e que chegou a considerar as hipóteses de sabotagem ou terrorismo.

A companhia do ex-piloto de Fórmula 1 sofreu ainda graves dores de crescimento. Ao optar por uma política de expansão agressiva, disputando com a companhia de bandeira austríaca uma fatia das rotas internacionais, Lauda criou um braço de ferro com o Governo de Viena. Ao longo dos anos, o executivo - através da companhia nacional - foi adquirindo ações da Lauda Air, e acabou por absorvê-la em 2012.

E o que fez Niki Lauda? Fundou uma segunda companhia.

Em 2003, o ex-piloto adquiriu a Aero Lloyd, uma empresa com poucos aviões e que se dedicava sobretudo a voos charter. Rebatizada como "Fly Nikki", apontou a um segmento de mercado mais alto, criou nome e acabou por conquistar mercado na Áustria. Mas cometeu um erro fatal, quando decidiu aliar-se à Air Berlín como forma de tentar competir com outros gigantes da aviação.

O casamento não durou muito e arrastou as duas companhias. A "Fly Niki" acabou por ser comprada pela Ryanair - primeiro, uma fatia de 75%, depois a totalidade.

De Niki Lauda, considerado o melhor piloto da sua época, há quem diga que é o austríaco mais conhecido do mundo, depois de Mozart. Muito provavelmente, por causa da persistência que o levou sempre a insistir, mesmo quando a sorte não lhe foi favorável. Lauda, o campeão da velocidade, o sobrevivente improvável, o empresário temerário, construiu-se como um exemplo de resistência ao logo das suas várias carreiras. E vidas.

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