Quão rápido é demasiado rápido? A pergunta do The New York Times sobre Félix

Tornou-se no jogador português mais caro de sempre depois de apenas uma época a jogar pela equipa principal do Benfica. Chegou à seleção e ao Atletico de Madrid em poucos meses. O jornal norte-americano ficou curioso.

"Félix sempre fez um caminho rápido. A aceleração não o deve preocupar." As palavras são do jornalista Rory Smith, num texto que assina esta quarta-feira no The New York Times sobre a velocidade e segurança da ascensão de João Félix até ao lugar de jogador português mais caro de sempre.

Nuno Gomes, João Tralhão e José Boto são as três vozes que o jornal norte-americano ouviu para saber mais sobre o "7" do Atlético de Madrid. A comparação com outro "7" - o da Juventus - é inevitável e os norte-americanos não a evitam.

Para isso, evocam o início da fase de grupos da Liga dos Campeões, esta semana, que vai opor Juventus a Atlético: "Ronaldo contra Félix, o passado e presente de Portugal contra o seu futuro, o rei contra o seu herdeiro", lê-se no texto.

A comparação recua, no entanto, mais alguns anos. João Félix foi transferido por 126 milhões de euros para os colchoneros, um valor superior aos que Ronaldo rendeu, tanto na transferência de Manchester para Madrid como de Madrid para Turim.

Renato Sanches também é chamado à narrativa para provar dois pontos: o primeiro é o de que o mercado português se virou para a rentabilização dos jovens; o segundo é o de que os tubarões europeus estão dispostos a apostar nisso mesmo.

"Em 2016, quando a última sensação surgida da academia do Benfica - o médio Renato Sanches - saiu para o Bayern de Munique, tinha feito uma época inteira e participado num percurso de Portugal que culminou num campeonato europeu. Félix nem sequer fez isso. Não quis esperar, tal como o Atlético não quis. Simeone lançou-o logo para a equipa principal. Até Ronaldo, no seu primeiro ano no Manchester United, foi posto na equipa de forma faseada. Agora, não há tempo a desperdiçar", escreve o jornal norte-americano.

A opinião de quem conhece Félix é a de que não há razões para preocupação. Nuno Gomes lembra que "agora os clubes preparam melhor os jogadores". João Tralhão, treinador de Félix nos escalões de formação, diz nem sequer acreditar que o "demasiado cedo" exista. "Só é demasiado cedo se não se estiver preparado", e ambos confiam que Félix está pronto.

Mas, porque é que Félix só surgiu depois da saída de Rui Vitória? José Boto, scout da equipa principal do Benfica, tem a resposta: "Tínhamos um treinador que dava mais ênfase aos atributos físicos", explicou aos americanos. "Tens de conquistar a confiança do treinador", algo que - para Félix - só aconteceu em janeiro com a entrada de Bruno Lage.

Félix estreara-se pela equipa principal em agosto de 2018 (entrou aos 88' num jogo frente ao Boavista) e dois jogos depois estava a empatar um dérbi com o Sporting. Com Rui Vitória ao comando só marcou mais dois golos. Bruno Lage chegou, lançou-o a titular frente ao Rio Ave e Félix respondeu com dois golos.

Daí até ao final da época marcou mais 15 golos - com um hat-trick na Liga Europa pelo meio - e celebrou um campeonato em maio. Foi convocado para a seleção nacional, mudou-se para Madrid e é um dos jogadores mais promissores da nova geração. O The New York Times chama-lhe um caso de "amor à primeira vista".

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