"Se Sérgio Conceição vivesse em Inglaterra não tinha lugar no futebol"

O juiz desembargador Sérgio Abrantes Mendes, que já foi duas vezes candidato à presidência do Sporting e presidente da mesa da assembleia-geral do clube, é o convidado do Entrelinhas.

O fim de semana passado foi um forte em emoções para Sérgio Abrantes Mendes. O sportinguista não conseguiu conter a emoção com a conquista da Taça de Portugal por parte do clube do coração e compreende bem as lágrimas do presidente Frederico Varandas.

"Segui bem o jogo, calmo, mas depois tive uma descarga, tive de tomar dois comprimidos para as arritmias. Quando acaba tudo e descomprimimos, vem tudo ao de cima. Foi um jogo que vivi com intensidade, que me emocionei e sobretudo com o presidente do Sporting, compreendi aquelas lágrimas. Se estivesse no lugar dele tinha reagido da mesma maneira, não era um mero jogo de futebol que estava em jogo", admite Sérgio Abrantes Mendes em entrevista à TSF.

O antigo candidato à presidência do clube de Alvalade está convencido de que o Sporting está mais perto de conquistas o título de campeão nacional, mas não arrisca dizer que será já na próxima temporada.

Abrantes Mendes acredita na liderança de Frederico Varandas, revê-se no presidente do Sporting e deixa de parte uma nova candidatura aos leões. Acredita que já passou o seu tempo.

O juiz sai em defesa do presidente leonino e aponta o dedo à atitude de Sérgio Conceição, que recusou cumprimentar Varandas na tribuna do Estádio Nacional, na altura de receber a medalha de vice-campeão da prova rainha. Abrantes Mendes considera o comportamento do treinador do FC Porto é inqualificável e recorda o momento em que Conceição recusou apertar a mão a João Félix.

"Ele não estará arrependido, porque eu vi aquele episódio triste quando acabou o jogo no Dragão, entre o Benfica e o FC Porto, e deu uma explicaç​ão que é pior a emenda que o soneto. O miúdo João Félix, que ia passar férias a casa dele, vai cumprimentá-lo e ele enxota o miúdo. Eu alguma vez enxotaria o amigo do meu filho? Mas, afinal, em que sociedade é que vivemos? Somos civilizados ou não somos civilizados? Nada justifica aquele comportamento", afirma o sportinguista.

Mais ainda, Abrantes Mendes garante que o comportamento não seria aceite noutras ligas. "Se ele vivesse num país como Inglaterra não tinha lugar no futebol, desde há muito que era punido e com gravidade. Aquilo não se admite, ele não desrespeitou apenas o sócio do Sporting, ou o presidente do Sporting, desrespeitou os sócios do Sporting, o clube que serve - o FC Porto - e, ao assumir aquele comportamento, desrespeitou o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República, o ministro da Educação, o secretário de Estado da Cultura e aquelas altas individualidades [presentes]. Ninguém, seja quem for, tem o direito de se comportar daquela maneira", reforçou o juiz.

E, aos olhos de Abrantes Mendes, a justiça é também um problema do futebol. "No futebol inglês houve um adepto que entrou no campo e agrediu o avançado que tinha acabado de marcar um golo, deu-lhe um murro na nuca. Esse indivíduo foi detido no sábado, julgado na segunda e condenado a 15 meses de prisão efetiva", recorda o juiz, dando a entender que uma medida dessas nunca seria tomada em Portugal, principalmente para "quem tem vastos económico-financeiros".

"O Benfica quando se viu cercado por um conjunto de acusações recorreu a um maior número de advogados ilustres e aproveitou as benesses que o sistema judicial permite, recorreu, interpôs providências cautelares, mas no fundo as coisas não se passam, qualquer dia ninguém se vai lembrar disto. Era importante que houvesse um sistema que estivesse preparado para averiguar, elucidar e punir", alertou o sportinguista, convencido de que em Portugal o crime compensa.

Questionado sobre se não haverá um capítulo final no caso dos e-mails, Abrantes Mendes admite que tem "dúvidas".

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