Futebol

Thomas N'Kono. Quem foi a maior inspiração de Buffon?

Gianluigi Buffon era avançado aos 12 anos, mas um guarda-redes especial agarrou a sua atenção no Campeonato do Mundo em Itália, em 1990. E mudou o seu fado...

Vamos diretos ao assunto. Era uma vez um miúdo que, aos 12 anos, ia ver o seu primeiro Campeonato do Mundo, ainda por cima no seu país. Esse ragazzo era avançado, por isso só podia inspirar-se com craques como Maradona, Caniggia, Romário, Roberto Baggio, Klinsmann, Francescoli, Lineker e Van Basten, certo? Errado. O pequeno Gianluigi desviou-se dos bons de bola, daqueles que viviam obcecados pela dança da senhora que veste de branco, com redes ao longo do corpo. Preferiu seguir quem lhes dizia "não".

"Os olhos de todo o mundo estavam em jogadores como Diego Maradona e Gary Lineker, mas eu estava deslumbrado com Thomas N'Kono", contou em tempos Buffon, aqui citado pela BBC. "Foram as coisas que ele fez pelos Camarões durante aquele Campeonato do Mundo que me inspiraram para ser guarda-redes."

A seleção africana não podia começar com um desafio mais difícil naquele Itália-90. Pela frente tinha logo a campeã do mundo, depois do show de Maradona em 86, no México. Os africanos, inspirados pelo bailarino Roger Milla, venceram por 1-0 e acabariam esse Grupo B em primeiro lugar. A seleção dos Camarões transformar-se-iam na primeira seleção africana a atingir os quartos-de-final de um Mundial: caíram contra a Inglaterra (2-3), em Nápoles.

Foi aí partir daí que a squadra azurra garantiu um digno sucessor de Pagliuca, Peruzzi e Toldo. O futuro guarda-redes do Parma e Juventus acabaria por estrear-se na seleção em 1997, mudando aquela espécie de morada fiscal apenas em 2017.

Thomas N'Kono passou uma grande parte da carreira no Espanyol de Barcelona (1982-1991). Em 87/88 os catalães atingiram a final da Taça UEFA, depois de eliminarem AC Milan, Inter e Borussia Monchengladbach. Na final contra o Leverkusen a coisa estava encaminhada, com um 3-0 na primeira mão. Na segunda, no entanto, chegou a tragédia: 0-3 e derrota nos penáltis.

Buffon continuou a aumentar o seu encanto por N'Kono. Primeiro aceitou deslocar-se até aos Camarões para o jogo de despedida do guarda-redes, um dos maiores daquele continente. "Conheci-o quando ele tinha 20 anos e estava no Parma", contou N'Kono à BBC. "Um ano depois pedi-lhe para ir ao meu jogo de despedida nos Camarões. Ele disse 'sim, sem problema', mas nunca acreditei que ele fosse. Depois, à última hora, ligou-me a dizer que estava no aeroporto prestes a voar para os Camarões. Foi incrível."

Este gesto é pouco surpreendente para quem o vê a aplaudir o hino sueco quando um estádio inteiro está a assobiá-lo. Mas a cruzada de Gianluigi continuou: no dia 28 de dezembro de 2007 nasceu Louis Thomas Buffon, o filho da lenda que disse ontem adeus à seleção italiana. O nome do meio foi em homenagem à lenda africana nascida em Dizangue, nos Camarões, em 1956.

N'Kono conquistou uma Taça das Nações Africanas (1984 vs. Nigéria), duas Ligas dos Campeões de África e dois títulos na Bolívia. O camaronês disputou três Campeonatos do Mundo (1982, 1990 e 1994) e foi nomeado duas vezes o melhor jogador africano do ano.

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