Vasco da Gama-Barreirense

Quando uma fita métrica decide os três pontos

Uma baliza com as medidas indevidas ditou a derrota do Vasco da Gama de Sines. Um dirigente dos alentejanos falou à TSF e confirma o recurso, pois o estádio é municipal, o que deverá ilibar o clube.

A história é (quase) simples. O Vasco da Gama de Sines recebia o Barreirense, para a quinta jornada da primeira distrital de Setúbal. Na altura do aquecimento, o treinador de guarda-redes visitante começa a tirar a pinta a uma baliza, desconfiado. E tira-lhe as medidas com as mãos. A baliza não tinha as medidas devidas (7,32m x 2,44m), mas os intervenientes concordaram em avançar com o jogo. O árbitro decidiria adiá-lo.

"Fui abordado pela equipa de arbitragem porque o treinador de guarda-redes do Barreirense estava a dizer que podia haver irregularidades com a baliza. Eu disse: 'Olhe, não sei. Não tenho conhecimento, o campo é municipal, a Câmara Municipal é que faz a manutenção", começa por contar à TSF Filipe Guerreiro, diretor do Vasco da Gama.

E continua: "Ainda há um ano e pouco houve um jogo de futebol dos sub-17. A Federação Portuguesa de Futebol veio cá, teve de fazer a inspeção e estava tudo bem. A CM, por sua vez, diz que estava tudo normal". Ou seja, Guerreiro afasta as responsabilidades do clube, mas desconfia de algo premeditado.

"Quando recolheram ao balneário, eu já tinha uma chamada do Conselho de Arbitragem, que já tinha sido alertado por alguém do Barreirense, antes mesmo de o árbitro medir a baliza. O árbitro mandou a GNR facultar uma fita métrica para averiguar o que se passava na baliza. O diretor do Barreirense sempre quis fazer o jogo, fizeram uma grande viagem do Barreiro até Sines, tinham gasto dinheiro na deslocação, no almoço para os atletas. Queria jogar. O Barreirense não punha qualquer entrave", conta.

E insiste: "O Barreirense sempre quis fazer o jogo, mas o que é certo é que depois na exposição ao Conselho de Arbitragem pede os três pontos, porque não quer voltar a Sines. É baseado nessa exposição que o Conselho de Arbitragem dá a derrota ao Vasco da Gama, mas está passível de recurso. Vamos recorrer". À derrota, junta-se ainda uma multa de 100 euros, porque a baliza tinha numas zonas menos dez e, noutras, menos 14 centímetros.

As balizas ficaram assim, garante, derivado do desgaste: "Vai-se metendo areia e plantando relva para aquilo estar em condições e houve chuvas grandes, a baliza poderá ter abatido [o terreno]... Poderá ter havido alterações, é a informação que temos da Câmara Municipal. O Vasco da Gama nunca deu conta de que a baliza era mais pequena ou maior, o que leva aqui a crer que isto estaria um pouco premeditado".

As balizas ficaram em condições no dia seguinte, assegura o dirigente. O recurso estará assente num artigo que diz que o jogo deve ser repetido se o facto não for imputável ao clube visitado. "O campo é municipal, nem é apenas o Vasco da Gama que usufrui", lembra Guerreiro, que pede vistoria antes de os campeonatos começarem.

Agora espera a resolução e a oportunidade de lutar por aqueles três pontos que escaparam. "As equipas em vez de levarem bolas, cones e coletes para os jogadores aquecerem, têm de levar uma fita métrica. Isto não beneficia nada o futebol..."

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