Javi García: "Não digo por qual vou torcer. Espero que passem Benfica e Zenit"

O Benfica, o Zenit, João Félix, Raúl de Tomás ou Jesé Rodriguez. E Jorge Jesus, sempre Jesus "o melhor treinador da carreira". Javi Garcia, em entrevista exclusiva à TSF, fala ainda da proposta do Sporting.

Javi Garcia assume que quando esta quarta-feira se sentar para assistir ao jogo da Liga dos Campeões entre Benfica e Zenit vai estar de coração dividido. A partir de Sevilha, onde joga, o antigo médio das águias lembra a juventude dos encarnados, mas também a forma como o Zenit, agora com Sergei Semak como treinador, tem melhorado os resultados nos últimos meses.

"Este é um ótimo momento para ir jogar a São Petersburgo", começa por comentar Javi. "O novo estádio do Zenit é uma autêntica pasada [loucura]. Tem climatização, é fechado, ótimo por isso para as famílias assistirem às partidas ali", explica o médio do Bétis de Sevilha.

O novo estádio tornou-se, nos últimos meses, a fortaleza do Zenit de Semak. "O Zenit tem estado muito forte no último ano, com Sergei [Semak] como treinador. É uma formação à qual é difícil marcar golos. Foi isso que o treinador procurou criar uma equipa consistente, com jogadores experientes, aos quais o técnico está a dar a confiança necessária".

O papel de Semak foi, na opinião de Javi Garcia, decisivo para o valorizar aqueles que são hoje os jogadores mais perigosos. "Por exemplo, Dzyuba. Quando eu era jogador do Zenit era já um atleta excelente, mas faltava-lhe a confiança do treinador. Agora está a demonstrar toda a sua qualidade, e é um dos jogadores a ter em conta, juntamente com o outro avançado, Sardar Azmoun", explica o antigo jogador dos russos.

Sergei Semak foi um jogador histórico do Zenit e era adjunto no tempo de Javi Garcia. "É uma ótima pessoa. Alguém que fazia acreditar os jogadores acreditar, que nunca tinha coisas negativas a apontar aos jogadores. Não o conheço como técnico principal, mas sei que é alguém com tato, que sabe como lidar com os jogadores. E isso está a ver-se no campo. Estão muito bem numa liga muito complicada como é a russa, e os jogadores estão a desfrutar do jogo".

O projeto do Benfica

"Vejo sempre os resumos dos clubes onde joguei", explica Javi Garcia. Esta quarta-feira vai parar para assistir ao encontro da Liga dos Campeões e vai seguir com atenção os jovens do Benfica. "O Benfica fez muito bem ao lançar talentos como André Almeida, no meu tempo, ou agora nomes como de João Felix. A forma de trabalhar do presidente [Luís Filipe Vieira] e de Rui Costa está a ter resultados fenomenais".

Mas tanta juventude pode ter dificuldades num estádio como o do Zenit, lembra Javi. "Num jogo como este os jovens podem demorar algum tempo a adaptar-se, esperamos que o façam o mais rápido possível". O ambiente em São Petersburgo pode ser um adversário, indica o ex-jogador do Benfica.

Outros nomes próprios: Raul de Tomás e João Félix

Entre as opções de Bruno Lage está um jogador que Javi Garcia considera, pode ser o futuro da seleção espanhola de futebol. Mas o início de temporada sem golos de Raúl de Tomás está a causar estranheza, também do lado de lá da fronteira. "Também aqui em Espanha já comentamos a falta de golos de Raúl de Tomás, mesmo aqui no Bétis já falamos disso. É um avançado fantástico, creio que aqui em Espanha não há ninguém do futebol que não goste do Raúl de Tomás.

Javi Garcia considera que o avançado precisa de confiança, e que a bola comece a entrar na baliza. "Não duvido que ele, no final, vai explodir. A não o digo por ser espanhol, mas para mim, em Espanha, há 4 ou 5 avançados de topo, e ele é um deles: Morata, Rodrigo, Alcácer, e para mim, é apenas uma questão de tempo até Raúl de Tomás estar a este nível".

Por Espanha há um outro nome a gerar expectativa. Pelo dinheiro que custou ao Atlético, mas sobretudo pela imagem que deixou nos jogos de pré-temporada. "Desde o primeiro jogou que teve impacto, que toda a gente fala dele [João Félix]. As pessoas não o conheciam em pleno, e como custou muito dinheiro havia dúvidas. Mas logo no primeiro jogo da pré-temporada toda a gente percebeu que se tratava de um craque. Se não acontecer nada de mal, vai estar entre os 2 ou 3 melhores jogadores do mundo", explica Javi Garcia.

"Simeone é muito inteligente na gestão destes jovens. Sabe o que lhe tem de dar para que melhor. É claro que não é fácil ter de sair ao minuto 60 ou 70, mas "El Cholo" sabe bem falar com ele, porque quer tê-lo muitos anos na sua equipa. E no final, não tenho dúvidas, ele vai ser o melhor do Atlético".

Jesé e a proposta do Sporting

"Sinceramente, quando ele estava aqui connosco no ano passado nunca discutimos qual a posição que ele preferia. Nunca falamos sobre isso", começa por dizer Javi Garcia, questionado sobre o papel de Jesé na temporada passada, quando esteve emprestado ao Bétis. "O que sei é que Jesé é um jogador com muito golo, com boa finalização, forte no um para um, que pode jogar em qualquer posição da frente. Ele Esteve muito tempo cedido de clube em clube, de cidade em cidade, e isso não é fácil. Merece estar num sítio onde o tratem bem, onde o façam sentir importante"

Também Javi Garcia teve a oportunidade de jogar no Sporting. A proposta chegou quando Jorge Jesus era treinador dos leões. "Tive uma proposta para representar outro mas entendi que não era o momento. Queria jogar na Liga Espanhola, porque saí dali muito cedo, e queria desfrutar do meu país", explica Javi Garcia. "A proposta foi do Sporting, na altura a imprensa falou disso(...) mas nunca iria a outra equipa não o Benfica em Portugal".

Benfiquista, Javi Garcia recorda o melhor treinador que diz, teve na carreira. "Nunca vou esquecer Jorge Jesus. Sempre o disse e o direi: foi o melhor treinador que tive. Para mim as coisas com ele correram muito bem, ajudou-me muito, a melhor, a mim e a todos os meus companheiros. Basta ver que os jogadores daquela equipa foram para os melhores clubes da Europa. E esse sucesso deve-se também, em parte, ao trabalho de Jorge Jesus".

"Desejo-lhe o melhor. É claro que foi complicado vê-lo como treinador do clube rival, para nós benfiquistas, quando foi para o Sporting. Não sei porque o fez, no meu caso nunca o faria. Seja como for, é uma decisão respeitável, e não esqueço que foi para mim um treinador decisivo."

Mesmo no Brasil, Javi Garcia faz questão de tentar manter contacto com o antigo treinador. "De vez em quando mando-lhe mensagens. Da última vez dei-lhe os parabéns pela passagem às meias-finais da Taça Libertadores. Um dia destes tenho de perguntar ao Juanfran - que foi meu companheiro no Real Madrid B - que está no São Paulo, como é jogar contra Jesus".

E por isso depois do jogo entre Benfica e Zenit, Javi Garcia pode ficar mais algumas horas à frente da televisão para ver a primeira mão da Taça Libertadores entre Grémio e Flamengo. Mas primeiro o Benfica, e o Zenit. "Esta quarta vou sentar-me a ver o futebol. Agora à distância vou ver o jogo com outros olhos. Joguei nas melhores equipas de cada um dos países. Guardo para mim qual dos dois prefiro que ganhe. Espero que Benfica e Zenit passem".

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