Jorge Jesus nunca mais quer recordar a última final da Taça de Portugal

O técnico volta no sábado a disputar, pela primeira vez, um encontro da prova 'rainha' do futebol português.

O treinador do Benfica, Jorge Jesus, disse esta sexta-feira nunca mais querer recordar a última final da Taça de Portugal em que esteve presente, pelo Sporting, da qual saiu derrotado, poucos dias depois da invasão à academia de Alcochete.

O técnico volta no sábado a disputar, pela primeira vez, um encontro da prova 'rainha' do futebol português, no terreno do Paredes, do Campeonato de Portugal, e garantiu que as emoções do último desafio na prova só lhe virão à memória se voltar a chegar à final.

"Recordar isso, só se chegar à final, não sei se é no Jamor, aí sou capaz de me lembrar da última tristeza, da última final que tive no Jamor. Nunca mais quero recordar-me dela na minha história como treinador de futebol. Nunca mais. Não por ter perdido, mas por tudo o que se passou antes", observou o antigo treinador dos 'leões'.

Em 2018, Jesus disputou a final da Taça de Portugal pelo Sporting, na última época que esteve ao serviço do rival das 'águias', e saiu derrotado pelo Desportivo das Aves, por 2-1, poucos dias após mais de 40 adeptos do Sporting terem invadido a academia de Alcochete e agredido o técnico e vários jogadores do clube.

Uma das vítimas da invasão, e que também participou nessa final, foi o médio William Carvalho, que mereceu esta sexta-feira elogios de Jorge Jesus, quando questionado sobre se seria um jogador que poderia solucionar muitos dos problemas que o Benfica tem sentido esta época e se gostaria de voltar a contar com ele, agora nos 'encarnados'.

"O William [Carvalho] é um jogador de seleção, trabalhou comigo alguns anos. Todos os grandes jogadores, eu, como treinador do Benfica, gosto deles, mas não quer dizer que uma coisa traga a outra. Também temos vários jogadores dessa posição que nos dão a segurança necessária, mas não tenho problema de identificar que o William é um excelente jogador", elogiou o técnico.

Apontando o foco novamente para os seus jogadores, Jesus assumiu que "não houve tempo" para trabalhar os problemas defensivos identificados nos últimos jogos, uma vez que muitos jogadores estiveram ausentes ao serviço das seleções, especialmente os dois defesas centrais, Otamendi e Vertonghen.

Ainda sobre o seu grupo de trabalho e o efeito que a 'data FIFA' teve sobre os jogadores, o técnico garantiu que, do lote de jogadores que estiveram 10 dias fora, nenhum vai a jogo no sábado, frente ao Paredes.

"Trabalhámos durante 10 dias com os que estavam cá, para este jogo, e achámos que estes dão toda a segurança e confiança para fazer este jogo", justificou Jorge Jesus.

Sobre a equipa do Paredes, Jesus lembrou que "luta para subir de divisão" e considerou que se equivale às formações da II Liga, mas reconheceu que é normal que os seus jogadores, na véspera do encontro, já estejam "a sonhar com o Benfica".

"Isso faz parte da paixão do futebol e da motivação dos jogadores do Paredes e de toda a sua estrutura. Isto é uma festa, só não é total porque não tem público. E o futebol, sem público, não digo que não é nada, mas não tenham dúvidas que tudo é diferente", concluiu.

Jorge Jesus defende paragem das seleções nacionais

O treinador do Benfica, Jorge Jesus, defendeu hoje que os jogos das seleções nacionais deviam parar durante a pandemia de covid-19, depois de o avançado Darwin Núñez ter regressado do Uruguai infetado com o novo coronavírus.

"A única forma de controlar, na minha opinião, e face a esta pandemia, acho que as seleções deviam ter parado. Os campeonatos da Europa e não só, esses não. Agora, as seleções deviam ter parado. E a prova está aí, quase todos os jogadores que vêm das seleções, vêm com o problema do vírus", sustentou o técnico das águias, em conferência de imprensa, no Seixal.

O avançado Darwin Núñez regressou da seleção do Uruguai infetado e também o médio Julian Weigl teve um teste positivo ao novo coronavírus, mas Jesus sublinhou que o futebol é "um exemplo" para todas as profissões pela capacidade de testar de três em três dias e de isolar os infetados.

Sobre os problemas que podem provocar a ausência do avançado, que tem sido um dos jogadores mais utilizados nesta época, o técnico sublinhou que "há coisas que não se podem controlar", mas garantiu que "nem tudo é mau" na ausência do jogador.

"Se acreditarmos na imunidade, é um que já não tem problemas com o vírus. No Brasil tive vários jogadores que tiveram esse problema e depois já nem precisavam de fazer teste para os jogos, era direto", lembrou o Jorge Jesus.

O Benfica anunciou na quinta-feira que Darwin Núñez e Julian Weigl estão em isolamento profilático por terem realizado um teste positivo ao novo coronavírus.

Ambos os jogadores ficam, por esse motivo, de fora da convocatória dos 'encarnados' para a visita ao terreno do Paredes, no sábado, em partida da terceira eliminatória da Taça de Portugal.

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